Soco inglês pode ter causado morte de adolescente goiano no caso Pedro Turra, aponta laudo médico
PCDF apreendeu instrumento semelhante na casa do suspeito. Ex-piloto está preso desde 24 de janeiro, data das agressões.

Um laudo médico aponta que instrumento compatível com um soco inglês pode ter agravado lesões que levaram o adolescente goiano Rodrigo Castanheira, 16, à morte no último dia 7 de março. O jovem foi agredido pelo ex-piloto Pedro Turra na saída de uma festa em Vicente Pires, no Distrito Federal (DF) e passou 16 dias internado com traumatismo craniano severo. O esportista está preso desde 24 de janeiro, data do incidente, quando arma semelhante foi apreendida pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) na casa do suspeito. Investigação indica que golpes sofridos por Castanheira foram determinantes para o desfecho. A confusão ocorreu por causa de um chiclete.
A análise pericial assinada pelo neurocirurgião Fábio Teixeira Giovanetti aponta que a intensidade das lesões é compatível com golpes potencializados por objeto metálico, e não apenas por socos desferidos com as mãos. As lesões se concentraram no lado esquerdo da cabeça, o que, segundo a acusação, é compatível com imagens da confusão, as quais mostram o Pedro Turra desferindo golpes na mesma região do crânio da vítima.
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Em determinado momento da briga, Rodrigo chega a bater o lado direito da cabeça na porta de um carro, mas o especialista afirma que os ferimentos observados não correspondem a esse tipo de impacto. O documento destaca que os ferimentos observados indicam “trauma por golpe direto” e não ferimentos por contra-golpe, caso que ocorreria se a cabeça do jovem atingisse outra superfície após um primeiro impacto.
Laudo aponta impactos concentrados
O documento ressalta que os ferimentos apresentam características típicas de impactos concentrados, o que amplia a suspeita sobre o uso do instrumento. Para o médico responsável pela análise, o padrão das lesões sugere agressões repetidas com grande intensidade.
O documento cita estudos experimentais que analisam fraturas cranianas em testes científicos. De acordo com esses dados, para ocorrer uma fratura linear no crânio é necessária uma pressão que varia de 3,1 a 5,2 megapascais, equivalente a uma força entre 31,6 e 53 quilos-força por centímetro quadrado. O especialista afirma que níveis de pressão como esses podem ser gerados por socos humanos aplicados com muita força e repetição.
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Ausência de lesões
No etanto, um ponto que chamou atenção dos peritos foi a ausência de lesões significativas nas mãos do agressor, fator considerado relevante para a linha investigativa. Em casos de agressões diretas, é comum que haja algum tipo de dano nas mãos de quem desfere os golpes, o que não foi constatado de forma compatível com a gravidade dos ferimentos da vítima.
Segundo o laudo, os traumas sofridos pelo adolescente foram determinantes para a morte, afastando, neste momento, outras possíveis causas. A conclusão reforça o entendimento de que as agressões tiveram alto potencial letal.
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Pedido de perícia detalhada
A possível utilização de soco inglês pode influenciar o enquadramento jurídico, já que o uso de objeto para potencializar a violência tende a agravar a responsabilização penal. Com base no novo parecer, os familiares pedem para Justiça a ampliação da denúncia, a realização de uma perícia detalhada nas imagens da briga e um estudo biomecânico para apurar se um soco inglês foi utilizado durante a agressão.
No mesmo dia em que foi detido, a Polícia Civil cumpriu um mandado de busca e apreensão na casa do ex-piloto. Durante a operação, os agentes encontraram um soco inglês e facas. Mesmo com a apreensão do objeto, a investigação policial não confirmou oficialmente que ele tenha sido utilizado na agressão.

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