Escalada de conflitos marcaram morte de corretora em Caldas Novas; veja evidências
Daiane Alves de Souza registrou ao menos 12 processos contra o síndico Cléber Rosa de Oliveira. Morte teria sido motivada por brigas

A morte da corretora Daiane Alves de Souza, de 43 anos, ocorreu devido a uma escalada de conflitos com o síndico do condomínio, Cléber Rosa de Oliveira, de 49 anos, conforme a Polícia Civil de Goiás (PCGO). O crime foi marcado por um histórico de disputas judiciais, tentativas de restrição de acesso e uso irregular de ferramentas administrativas para constranger a vítima, em Caldas Novas.
Cléber, que confessou o assassinato e apontou o local onde o corpo foi localizado, acabou preso durante operação nesta quarta-feira (28), na cidade. O filho dele, de 27 anos, também foi detido sob a suspeita de tentar obstruir provas para dificultar a investigação da polícia e, consequentemente, livrar o pai da cadeia.
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Conforme as investigações da força-tarefa montada pela PCGO, o atrito começou ainda em 2024, quando a família de Daiane retirou do síndico a administração de seis apartamentos destinados à locação por temporada. A partir desse rompimento comercial, passaram a ocorrer corriqueiras desavenças, registros de ocorrência e ações judiciais ao longo dos últimos meses.
Ao todo, a corretora registrou ao menos 12 processos contra Cléber. As ações tramitam nas esferas cível e criminal; 11 seguem em andamento e uma foi decidida favoravelmente à mulher antes do arquivamento.
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Restrição
Em fevereiro de 2025, Daiane ingressou com ação contra o condomínio após ter o acesso às áreas comuns e aos hóspedes restringido. Em outubro, o síndico convocou assembleia geral extraordinária para tentar proibir a entrada da mulher no prédio, alegando que os imóveis estavam em nome da mãe da corretora. A proposta foi aprovada, mas posteriormente anulada pela Justiça.
No dia 11 de dezembro, seis dias antes do desaparecimento, houve o trânsito em julgado desta mesma ação. De acordo com a polícia, Daiane venceu o processo, garantiu o direito de livre circulação e ainda obteve indenização por danos morais e materiais contra a administração, por abuso de poder. A derrota judicial, inclusive, foi uma das motivações do crime.
“Há uma linha temporal muito clara. O conflito administrativo, perseguição, tentativa de expulsão do prédio, derrota definitiva na Justiça e, dias depois, o desligamento do padrão de energia [do apartamento da vítima] e o encontro no subsolo, que foi proposital”, afirmou o delegado titular do Grupo de Investigação de Homicídios (GIH) de Caldas Novas, André Luiz Barbosa, durante coletiva de imprensa nesta quarta-feira.
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Desligamento de energia do apartamento de Daiane
O desligamento da energia, segundo a corporação, não foi um fato isolado. No decorrer das investigações, testemunhas ouvidas pela corporação relataram que Cléber já havia interrompido o fornecimento em outras situações, inclusive para inviabilizar uma assembleia por videoconferência, quando desejava participação presencial.
No dia anterior ao crime, hóspedes de Daiane relataram que o apartamento novamente ficou sem luz, obrigando a corretora a procurar a administração. No dia seguinte, ao constatar o novo corte, ela desceu para registrar o ocorrido em vídeo. A filmagem, inclusive, foi enviada para uma amiga. Neste momento, ela se encontrou com o síndico em um ponto cego e, então, não foi mais vista.