TRAGÉDIA

‘Espero que a justiça seja feita’, diz delegado que sobreviveu a acidente com dois mortos na GO-330

Condutor do caminhão que provocou a colisão foi indiciado por homicídio e lesão corporal culposa

O delegado Leonardo Sanches, de 44 anos, que sobreviveu a um acidente entre uma viatura descaracterizada e um caminhão de lixo na GO-330, disse, nesta sexta-feira (23), que aguarda a ação penal contra o condutor do veículo de carga, Diego Nascimento Barbosa, e que espera que ele seja responsabilizado pelo ocorrido. A colisão que quase deixou o policial paraplégico ocorreu em meados de julho de 2025, entre Leopoldo de Bulhões e Silvânia.

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Leonardo voltava para Silvânia, onde é lotado, após uma oitiva. Ele estava acompanhado das estagiárias Ana Caroliny Siqueira Mendes, de 18 anos, Amanda Monteiro, de 19, e do agente Ananias Batista, de 52. Amanda e Ananias não resistiram ao capotamento.  

“No final do ano passado, tomei ciência da conclusão do inquérito policial, que apurou o acidente e apontou o culpado e as causas. Agora aguardo o devido processo legal e espero que seja feita a justiça. Enquanto isso, sigo o meu tratamento de reabilitação para que possa retomar as atividades o mais breve possível”, afirmou.

Diego foi indiciado por homicídio e lesão corporal culposa, quando não há intenção de matar. O inquérito policial concluiu que a causa determinante da colisão foi a imprudência do condutor, que realizou uma ultrapassagem insegura e invadiu a pista contrária. 

A perícia técnica apontou que, ao contrário do alegado pela defesa sobre desviar de um carro com pneu furado, o caminhão tinha distância suficiente para frear sem necessidade de mudar de faixa, caracterizando uma falha grave no dever de cautela. Câmeras de monitoramento, que flagram o momento em que a viatura tentou desviar do caminhão e capotou, influenciaram a perícia a chegar à conclusão.

56 dias internado 

O delegado recebeu alta no dia 29 de setembro do ano passado. No total, Leonardo ficou 56 dias internado, entre o Hospital Estadual de Anápolis Dr. Henrique Santillo (Heana), o Hospital de Urgências de Goiás Dr. Valdemiro Cruz (Hugo) e o Centro Estadual de Reabilitação e Readaptação Dr. Henrique Santillo (Crer), sendo submetido a cirurgias na coluna e a tratamentos de fisioterapia. Ana Caroliny Siqueira, por outro lado, deixou a unidade dias depois.  

Os sobreviventes foram socorridos e resgatados de helicóptero devido a gravidade dos ferimentos. O impacto do capotamento chegou a fazer com que o motor do veículo ficasse exposto na rodovia. 

A viatura conduzida pelo agente saiu da pista na tentativa de desviar do caminhão e evitar uma colisão frontal, mas acabou capotando. O caminhão trafegava no sentido contrário da pista para desviar de um carro que estava com o pneu furado. 

O carro era ocupado por três jovens de 17, 18 e 30 anos. Elas voltavam de uma festa em Anápolis para Silvânia.O carro das jovens teve um dos pneus furados, mas elas permaneceram no trajeto em baixa velocidade, o que fez com que o caminhão tentasse a ultrapassagem.