Ex-alunas do curso de IA da UFG, 2º mais disputado do Brasil, dizem que conseguir emprego é fácil
Profissionais explicam como é a atuação em IA, por que quase ninguém sai desempregado e quais oportunidades explicam a alta concorrência

A Inteligência Artificial deixou de ser um conceito futurista para se tornar uma das áreas mais promissoras do mercado de trabalho brasileiro. Cada vez mais disputado, o curso já supera, em alguns casos, a concorrência de graduações tradicionais como Medicina. Na Universidade Federal de Goiás (UFG), onde a formação em IA é pioneira, o cenário confirma que quem se forma dificilmente enfrenta o temido desemprego.
Única mulher da primeira turma do curso (2020-2024), Heloisy Rodrigues conversou com a reportagem do Mais Goiás sobre o assunto. Ela entende que a graduação surgiu para suprir uma carência real de milhares de empresas. “Estava faltando profissional. Então quando você pega o diploma, o emprego já é algo muito natural. Você não passa por aquele desespero de ‘me formei, e agora?’”, relata.
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De acordo com Heloisy, muitos alunos já saem da universidade com uma vaga encaminhada ou com projetos próprios. “Às vezes você já tem um trabalho engatilhado, só esperando colar grau para assumir. E também tem muito incentivo ao empreendedorismo”, diz. Ela mesma seguiu esse caminho: “Eu saí da faculdade empreendendo, montei uma startup com colegas e hoje trabalho em uma instituição financeira”.
A profissional destaca ainda que as vivências práticas ao longo do curso ajudam os alunos a chegarem mais preparados no mercado. “Você não chega como um estagiário, cru. Já chega com experiência, porque participou de diferetnes projetos durante toda a graduação”, explica. Para ela, a formação prepara o estudante para entender tanto a parte técnica quanto o negócio. “O uso da IA está muito ligado ao problema real da empresa. Você precisa entender a dor para fazer a máquina pensar em soluções.”
“Se você é um bom profissional, certamente terá acesso a muitas vagas de trabalho”, considera. Um diferencial muito importante, segundo ela, passa pelo domínio do inglês. “Se você sabe, você consegue trabalhar remoto para empresas estrangeiras e ganhar bem mais”. De acordo com a profissional, todos os colegas da primeira turma saíram empregados. “Ninguém ficou parado depois de formado.”
“Dá para trabalhar com medicina, educação, história, várias áreas”
Formada na segunda turma do curso (2021-2025), Evellyn Nicole Machado também confirma o aquecimento do mercado. “Antes mesmo da colação de grau eu já tinha um emprego”, conta. Após trocar de trabalho, ela passou a receber propostas frequentes. “Semanalmente apareciam oportunidades no LinkedIn (plataforma de busca por profissionais).”
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“Durante a graduação a gente participa de projetos e tem contato com o mercado. Os professores também ajudam muito, porque têm experiência e conexão com empresas”, diz. A escolha pela Inteligência Artificial, segundo ela, veio da ampla aplicabilidade do curso. “Eu vi que dava para trabalhar com medicina, educação, história, várias áreas. Isso me chamou a atenção.”
Ao comentar o exercício da profissão na prática, ela considera que a IA nasceu para resolver problemas. “Sempre que existe um processo repetitivo ou passível de automatização, a IA pode atuar. Ela entra para ajudar os humanos, para a gente não ficar preso a tarefas repetitivas.”
Demanda crescente
O fim do primeiro dia de inscrições do Sistema de Seleção Unificada (Sisu) 2026 revelou a alta demanda por alguns cursos, dentre eles o de Inteligência Artificial da UFG. O curso registrou uma nota de corte acima de 846 pontos. Com isso, as sete vagas disponíveis estão entre as mais disputadas do país.
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A nota de corte para o preenchimento dessas vagas ficou atrás apenas do curso de Medicina da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab), que registrou 859,06 pontos. Ainda assim, o curso da UFG superou as notas de corte de ao menos outros dez cursos de Medicina ofertados em diferentes regiões do Brasil.
Tecnologia na resolução de problemas
Segundo a UFG, o curso em Inteligência Artificial tem como objetivo formar profissionais capazes de solucionar problemas complexos por meio do uso de tecnologias de IA, incluindo sistemas autônomos e embarcados, com foco em inovação e empreendedorismo.
Ao longo da graduação, os estudantes têm contato com fundamentos de computação e matemática, desenvolvimento de habilidades cognitivas, além de técnicas e metodologias específicas da área.
A universidade explica que em um passado não muito distante as competências em Inteligência Artificial eram adquiridas principalmente por profissionais formados em outras áreas, sobretudo em cursos de pós-graduação em Computação, como mestrado e doutorado.
No entanto, segundo a UFG, essa formação ocorria de maneira parcial, já que esses programas não abrangem de forma ampla todas as vertentes da área. “Com a expansão do uso da IA em diversos setores, surgiu a necessidade de uma graduação específica voltada ao tema”, pontua.