JUSTIÇA

Família de Daiane vai atuar nas esferas cível e criminal contra síndico acusado de assassinato

Advogado aguarda possível denúncia do Ministério Público contra Cléber Rosa para participar como assistente de acusação

Plínio César, advogado da família da corretora Daiane Alves, morta em dezembro após entrar no subsolo do prédio onde morava, em Caldas Novas, e ficar mais de 40 dias desaparecida, pretende ingressar nas esferas cível e criminal contra o síndico Cléber Rosa Oliveira, de 49 anos, acusado do crime. Segundo ele, é o desejo dos familiares da vítima a participação como assistente de acusação do Ministério Público no caso da denúncia que deve ocorrer.

Nesta quinta-feira (19), a Polícia Civil relatou detalhes da investigação. Segundo a corporação, Cléber atacou a corretora com algum instrumento, retirando a vítima ainda viva de dentro do prédio. Dois disparos foram feitos e atingiram o crânio da corretora. Perícia afirma que os projéteis foram deflagrados, provavelmente, em região de mata – na área onde ela foi encontrada.

Além disso, os peritos conseguiram recuperar uma gravação do celular da vítima que mostra o momento do ataque, ainda no subsolo do prédio onde ela e o acusado moravam. O ataque ocorreu, conforme a corporação, após uma série de desentendimentos, perseguições e agressões direcionadas a ela pelo algoz. O aparelho foi descartado na caixa de esgoto do edifício.

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Segundo advogado, apesar de a Polícia Civil ter divulgado trechos da conclusão do inquérito, ele ainda não teve acesso aos autos, com todos os detalhes e provas. Até por isso, ainda não conversou com a mãe de Daiane, que está em Uberlândia com a família. “Após uma análise, a família irá se pronunciar. Mas nós ainda faremos nossos questionamentos e aguardaremos o MP se manifestar sobre os fatos. Com certeza, serão imputadas ao Cléber as consequências dos atos dele.”

Sobre o caso, Daiane desapareceu em dezembro e teve o corpo encontrado na madrugada de 28 de janeiro em uma região de mata do município. Além de Cléber, o filho dele também foi detido, à época, mas descartado como autor, posteriormente.

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Inquérito

O inquérito divulgado nesta quinta-feira detalha que o crime foi o ápice de um comportamento de perseguição sistemática (stalking). Meses antes do assassinato, a relação entre Daiane e o síndico já era marcada por conflitos graves, motivados por disputas no mercado de locação de imóveis. A corretora já havia formalizado denúncias de agressões físicas e relatado episódios de sabotagem, como o corte de serviços básicos em sua residência.

A análise do celular, somada aos boletins de ocorrência registrados anteriormente pela vítima, permitiu à polícia traçar o perfil de retaliação adotado pelo autor. Com a conclusão do caso, os vídeos recuperados tornam-se a principal peça técnica para o indiciamento do síndico por homicídio qualificado.