Família procura goiano que sumiu ao tentar entrar EUA em 2017: ‘era o sonho dele’
Maycon Eder Alves de Jesus sumiu aos 23 anos, na fronteira com o México. Jovem tentou entrar nos Estados Unidos com ajuda de coiotes

Um sonho que se tornou um pesadelo: assim pode ser resumida a jornada de Maycon Eder Alves de Jesus, que desapareceu aos 23 anos durante uma tentativa de entrar de forma ilegal nos Estados Unidos com a ajuda de coiotes. A reportagem faz parte da série produzida pelo Mais Goiás, que conta a história de pessoas com cartaz divulgado na Difusão Amarela da Interpol, e que são procuradas em 198 países.
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Natural de Goiânia, Maycon foi visto pela última vez em 03 de agosto de 2017, na fronteira do México com os norte-americanos. Atualmente com 31 anos, a Interpol acredita que o jovem possa ter passado por Estados Unidos, Bahamas e República Dominicana.
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Idalira Alves Souza de Jesus, mãe do Maycon, conta que o filho buscou refúgio nos EUA como uma forma de ajudar a família. Ele tinha como objetivo se estabelecer no país e, então, cuidar da mãe, que mora em Goiânia.
“O sonho do Maycon sempre foi ir para os Estados Unidos. Ele falava que a gente ajudou ele muito, mas que aqui ele não tinha condições de ajudar a gente, que queria retribuir tudo que fizemos para ele”, conta a matriarca.

Idalira teve conhecimento do plano de Maycon de entrar ilegalmente nos Estados Unidos durante a última conversa com o filho, que afirmou ter negociado com coiotes para guiarem a travessia. Goiás, inclusive, tem se consolidado como um dos Estados com o maior número de operações voltadas ao combate da migração clandestina.
O jovem teria sido convencido por uma amiga, que supostamente teria feito a viagem com o grupo ao qual Maycon contratou, afirmando já ter experiência, tendo auxiliado outros migrantes anteriormente. As palavras foram o “empurrão” para o jovem se arriscar.
“Perguntei quem eram essas pessoas, então ele falou que eram conhecidos como coiotes, que era seguro. Ele falou que por Bahamas não era perigoso. Foi aí que começou o pesadelo”, relembra.

O desaparecimento
A última vez que a mulher viu o filho pessoalmente foi em 10 de maio de 2017. Neste mesmo dia, Maycon saiu de casa rumo ao Aeroporto de Goiânia, mas um imprevisto impediu que ele embarcasse. O jovem, então, voltou para casa e horas depois, os coiotes entraram em contato afirmando que um novo voo havia sido agendado.
Entusiasmado, ele chamou um motorista de aplicativo para tentar embarcar novamente, a fim de se encontrar com os contratados. Desde então, há nove anos, a mãe não teve mais notícias do filho.
Quando perdeu contato com Maycon, Idalira chegou a pagar anúncios para divulgar o desaparecimento, tendo a ajuda de um tradutor para converter o apelo para o Inglês. Embora mantido por anos, a mulher não teve sucesso. A principal hipótese da polícia é que ele tenha sido morto pelos coiotes.
“A gente se reúne, faz um almoço com a família. Fico só pensando se o meu filho está comendo, se está bem. Eu venderia tudo que tenho para ele voltar, venderia a minha casa”, reforça.
Idalira conta que nunca perdeu a esperança de encontrar o filho com vida. Prova disso é o telefone fixo da casa, que ainda mantém a mesma linha desde que Maycon morava no imóvel. A mulher também guarda pertences do filho, como roupas e o violão.
“Esse [telefone] eu sei que ele vai lembrar. O número de celular pode não lembrar, mas do fixo o Maycon não vai esquecer. Às vezes eu escuto o barulho dos cachorros à noite e penso que é ele que está chegando, que vou poder vê-lo de novo”, conclui.

Outros goianos desaparecidos
Assim como Maycon, outros seis goianos constam na lista pública da Difusão Amarela. São eles:
- Rosana Ferrari Pandim: natural de São Paulo, a mulher desapareceu aos 11 anos de idade, em Goiânia. A data do desaparecimento, segundo a Interpol, foi em 23/11/1973. Atualmente, ela está com 64 anos de idade. O possível país onde Rosane possa estar não consta na lista. A Polícia Civil de Goiás não tem registro da mulher no banco de dados da corporação.
- Mayra da Silva Paula: A goiana, natural de Ceres, desapareceu no dia 03/07/2009, aos 15 anos. O local do desaparecimento não consta na lista da Interpol, assim como o país em que ela possa estar. Atualmente, a mulher está com 35 anos. Informações obtidas pelo Mais Goiás apontam que ela foi morta. O caso, na época do crime, era investigado pela Polícia Civil (PC), mas depois passou a ser conduzido pela Polícia Federal.
- Marcelo Gomes de Souza Ramos: natural de Anápolis, o desaparecimento do homem foi registrado em 21/11/2012, quando ele tinha 30 anos. Atualmente com 44 anos, a Interpol acredita que ele possa ter passado pelo México, Estados Unidos ou Guatemala. Marcelo, que é fluente em inglês, também não consta no banco de dados da PC.
- Denis Carlos Mendonça: natural de Uruaçu, Denis desapareceu no dia 29/03 de 2023, na França, aos 34 anos. Atualmente com 48 anos, o paradeiro dele é indefinido. A Polícia Civil não tem registro no banco de dados da corporação.
- Juliana Pereira de Morais: natural de Goiânia, a criança de nacionalidade brasileira e paraguaia, desapareceu quando tinha apenas 1 ano de idade em 13/04/2017, em San Ignacio de Loyola, no Paraguai. Hoje, com 10 anos, a polícia acredita que ela possa ter passado pela Argentina e pelo próprio Paraguai depois de ser sequestrada. A Polícia Civil não tem registro dela em Goiás.
- Luciano Tadeu Rodrigues Junior: natural de Goiânia, o jovem de 32 anos desapareceu em 14/07/2022, aos 28 anos, em Goiânia. A Interpol acredita que ele possa ter passado pela Venezuela e pelo México. Apuração do Mais Goiás aponta que ele atuava como mula do tráfico, tendo desaparecido durante uma viagem exercendo essa função na fronteira da Venezuela com o México.
