Paralisação dos médicos em Goiânia chega ao fim com voto favorável de 9 entre 10 presentes em assembleia
Segundo a SMS, as unidades municipais já operam com escalas completas

As unidades municipais de saúde de Goiânia retomaram nesta sexta-feira (16) o atendimento integral na rede de urgência e emergência após a suspensão da paralisação dos médicos. A decisão foi tomada durante Assembleia Geral do Sindicato dos Médicos do Estado de Goiás (Simego), realizada na noite de quinta-feira (15), que deliberou pelo retorno imediato às atividades e pelo início de tratativas com a Secretaria Municipal de Saúde (SMS).
De acordo com a SMS, nesta sexta-feira todas as unidades já operam com escalas completas. “Hoje todos os profissionais escalados na rede de urgência estão trabalhando, sem restrições para o atendimento à população”, afirmou a gerente de urgência e emergência da pasta, Jeisa Cristina. Segundo ela, a suspensão da paralisação restabelece o acesso da população aos serviços e reduz a sobrecarga dos profissionais que permaneceram em atividade durante o movimento.
Ao fim da assembleia, o Simego orientou os médicos credenciados a comparecerem aos postos de trabalho, registrarem ponto e realizarem normalmente os atendimentos. Em ofício enviado à SMS, a presidente do sindicato, Franscine Leão, informou que a paralisação foi oficialmente suspensa a partir da meia-noite desta sexta-feira, mantendo, porém, o movimento reivindicatório.
Em entrevista ao Mais Goiás, Franscine detalhou o resultado da votação. “A assembleia deliberou pelo retorno imediato às atividades pelos médicos credenciados. O placar foi de 90% a favor da suspensão da paralisação e 10% pela manutenção da greve”, afirmou.
Segundo a presidente do Simego, a paralisação resultou na abertura de canais de diálogo com a gestão municipal. “Conseguimos manter a assembleia em caráter permanente e a intervenção do Ministério Público para iniciar tratativas numa tentativa de negociação de um edital menos aviltante para os médicos”, explicou. Entre os avanços, ela destacou a prorrogação da rescisão dos credenciamentos, que estava prevista no edital de chamamento nº 03/2025.
Os próximos passos incluem uma reunião com a Secretaria Municipal de Saúde na próxima semana e, posteriormente, um novo encontro com o Ministério Público. “Já levantamos todos os pontos que consideramos desrespeitosos no edital e vamos dar continuidade às negociações”, disse Franscine.
Redução salarial
Um dos principais impasses continua sendo a redução salarial de até 35% prevista no edital. “Esse é um dos pontos que estamos tentando negociar. Os médicos não aceitam essa redução. A secretaria informou que ainda não sabe se haverá flexibilidade e, até o momento, não está disposta a ceder”, afirmou.
O secretário municipal de Saúde, Luiz Pellizzer, destacou que o fluxo assistencial já foi reorganizado. “Com a retomada dos protocolos de atendimento, houve melhora no tempo de resposta. Só é possível construir soluções em conjunto com a categoria assegurando o direito da população à saúde”, declarou.
Franscine Leão também relatou tensão durante reunião no Ministério Público. Segundo ela, houve postura considerada desrespeitosa por parte da gestão municipal. “Em determinado momento, o promotor chegou a cogitar interromper a reunião por falta de diálogo. Ainda assim, insistimos em continuar, porque a intenção do Simego e dos médicos é negociar. Não somos favoráveis à paralisação e entendemos o sofrimento da população”, concluiu.