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Goianas presas por engano na Alemanha pedem indenização de R$ 21,5 milhões

"Nós quase perdemos 20 anos da nossa vida em um presídio da Alemanha depois da ação criminosa de uma funcionária de vocês"

A empresária goiana Kátyna Baía informou nas redes sociais, nesta semana, a cobrança de uma indenização da Gol Linhas Aéreas. Em 2023, ela e a companheira, Jeanne Paolini, ficaram 38 dias presas na Alemanha por terem as malas trocadas por uma bagagem com drogas. O valor pedido é de R$ 21,5 milhões.

“Nós quase perdemos 20 anos da nossa vida em um presídio da Alemanha depois da ação criminosa de uma funcionária de vocês. Há quase três anos, vivemos o episódio mais devastador de nossas vidas. Ficamos 38 dias presas na Alemanha, acusadas injustamente de tráfico internacional de drogas. Saímos do presídio, mas ele não saiu de nós. As marcas continuam até hoje”, diz em vídeo.

Segundo ela, nesses três anos, a Gol nunca tentou um acordo. “E por que a Gol? Porque foi comprovado pela Polícia Federal que uma funcionária da empresa Gol recebeu malas com drogas que foram etiquetadas com os nossos nomes. Ou seja, nós fomos usadas por essa funcionária.”

Kátyna Baía e Jeanne Paolini (Foto: Reprodução/PF)

Kátyna cita que a funcionária já foi julgada e condenada, mas a empresa tenta se eximir da responsabilidade. Para ela, a indenização é necessária por um caráter pedagógico, para que mais empresas aéreas mudem suas condutas dentro dos serviços oferecidos.

“Nem todo mundo teria a mesma sorte que a gente teve em sair em 38 dias. Nós saímos, pela graça de Deus, pela investigação impecável da Polícia Federal e pelo excelente trabalho dos nossos advogados. Foi exatamente por isso. Mas a verdade é que nós não somos um caso isolado. Esse golpe da mala já fez outras vítimas e ele ainda existe”, reflete.

A Gol informou que não comentará o caso.

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Malas trocadas e prisão

Jeanne Paolini e Kátyna Baía foram presas em uma escala em Frankfurt no dia 5 de março de 2023. A detenção ocorreu após as duas terem tido as etiquetas das bagagens trocadas no aeroporto de Guarulhos, em São Paulo. As malas que viajaram para a Alemanha tinham cocaína dentro e foram apreendidas pela polícia.

A empresária e a veterinária deixaram a prisão em 11 de abril. Elas foram libertadas após a autorização do Ministério Público da Alemanha.

A soltura ocorreu após autoridades alemãs terem analisado vídeos enviados por autoridades brasileiras. As provas tinham o objetivo de comprovar a inocência das brasileiras, de acordo com a PF.

Por meio das imagens de câmeras de segurança, o delegado da Polícia Federal de Goiás Bruno Gama disse que foi possível identificar a atuação de uma organização criminosa na troca das etiquetas.