Supermercados de Goiânia têm muitas vagas que ninguém quer ocupar, diz sindicato
Jornada exaustiva é principal razão, segundo o procurador do Secom-GO, José Nilton Carvalho

Goiânia e região metropolitana têm cerca de 10 mil vagas ociosas para supermercados e estabelecimentos similares. A informação é do procurador do Sindicato dos Empregados no Comércio Varejista de Gêneros Alimentícios do Estado de Goiás (Secom-GO), José Nilton Carvalho, nesta segunda-feira (2). Parte do motivo é a jornada exaustiva de trabalho.
Inclusive, este é um dos motivos que o Secom-GO incluirá, em assembleia na próxima semana, uma proposta para ocorrer o fechamento desses estabelecimentos aos domingos. Esta será tratada em convenção coletiva. Já no dia 10 de março, ela segue para o patronal, o Sindicato do Comércio Varejista de Gêneros Alimentícios (Sincovaga-GO), que deve deliberar entre 25 e 30 de março.
“São 7 mil em Goiânia. Entre as funções, açougueiro, padeiro, confeiteiro, operadora de caixa”, cita. José Nilton destaca que o candidato até faz a entrevista de empresa e começa. Porém, quando ele percebe a jornada de 44 horas semanais, de segunda a domingo, ele abandona. “Às vezes nem volta na empresa para poder dar baixa.”
Até por isso, o procurador do Secom-GO reforça a importância do fechamento no domingo. Ele lembra, inclusive, que a ideia era de que a proposta já começasse a valer em 2025. “Estávamos aguardando a proposta do fim da jornada 6×1, só por isso não fechamos ano passado.”
Sobre a deliberação pelo patronal, ele informou que já há uma negociação para que esta seja validada. Ele explica que, atualmente, é proibido o trabalho em feriados, sendo necessária convenção coletiva para a abertura. “Hoje, nenhum supermercado pode abrir no feriado sem autorização do Secom-GO.” Assim, a negociação para validar a folga aos domingos vai liberar o funcionamento nos feriados até às 14h, exceto Natal e Dia do Trabalhador. “O Secom-GO já mandou circular”, revela.
Nilton afirma que a folga aos domingos é “tendência mundial”. “O Espírito Santo já fechou há dois anos e funciona muito bem.” Ele afirma que não haverá exceções e que, em caso de descumprimento, a multa será de cinco salários mínimos por trabalhador. “Não vai ter exceção para abrir. Essa norma é cogente, não permite mudança por acordo coletivo. Vai valer apenas convenção coletiva.”