Atlética da UFG expulsa presidente por caso de racismo; entidades reagem
Caso veio à público após série e manifestações públicas de outras atléticas da UFG

O presidente da Associação Acadêmica Atlética e Científica dos Estudantes de Direito da Universidade Federal de Goiás (UFG), conhecida como Mafiosa, foi expulso da entidade após denúncias de ato de racismo praticado por ele contra outro membro da diretoria. A Mafiosa anunciou a decisão na terça-feira (7), após o caso se tornar público com a série de manifestações de repúdio de ao menos outras três atléticas e do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da universidade.
O Mais Goiás procurou a UFG para que se posicionasse, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem. A reportagem também entrou em contato com a Polícia Civil (PC), que informou não ter registro de denúncia envolvendo a Mafiosa. O ex-gestor da associação também não foi localizado. O espaço segue aberto para manifestação.
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Em nota publicada nas redes sociais, a Mafiosa afirmou que além de ter sido desligado da Pasta Executiva, o ex-presidente não está mais autorizado a participar de atividades promovidas pela associação. A entidade também anunciou a convocação de novas eleições.
Caso antigo
O episódio, no entanto, ocorreu em 2025. Segundo a nota, a fala racista foi identificada em setembro do ano passado. Na ocasião, a gestão executiva optou por uma abordagem de conciliação e sigilo, restringindo a informação a um número reduzido de pessoas. A Mafiosa reconheceu que a postura foi inadequada e que deveria ter exposto o fato e confrontado o autor imediatamente.
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A associação afirmou ainda que a maioria de seus membros, diretores, atletas e associados só tomou conhecimento da situação na última sexta-feira (3). Desde então, medidas foram exigidas dos integrantes que faziam parte do executivo à época, e os envolvidos na decisão pelo silêncio já tiveram seus desligamentos formalizados.
Retratação após raciscmo
A entidade também se retratou por uma Nota de Esclarecimento publicada anteriormente, descrita como insuficiente e elaborada sem a participação efetiva dos membros. “O racismo é um crime inadmissível, incompatível com os valores que devem nortear uma instituição formada por estudantes de Direito”, diz o texto.
A Mafiosa ainda pediu desculpas à vítima do ato racista e declarou que, em caso de iniciativa judicial, fornecerá solidariedade, apoio e amparo jurídico. O compromisso foi estendido a outras possíveis vítimas de discriminação por parte de integrantes da associação.