ESPERA

Bebê que passou por cirurgia intrauterina em Goiânia aguarda vaga em fila que ‘anda para trás’

Acompanhamento com um especialista é fundamental para avaliar a evolução do quadro e definir a necessidade de uma nova intervenção

Um mês após o nascimento, a pequena Luna Vitória enfrenta uma nova corrida contra o tempo em Goiânia. A bebê foi diganosticada ainda na barriga com hidrocefalia severa (ácumulo de água no cérebro) e precisou passar por uma cirurgia ainda durante a gestação. Luna agora aguarda por uma consulta com neurocirurgião pelo sistema de regulação, sem previsão de atendimento.

Segundo a mãe, a entregadora Flaviana Magda, a situação é preocupante. Ela afirma que, em vez de avançar, a posição da filha na fila de espera regrediu. À reportagem, Flaviana enviou fotos que mostram que Luna já esteve na posição número dois, mas passou para a quarta e, depois, para a décima sexta.

Procurada pelo Mais Goiás, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) informou que as filas de regulação são dinâmicas e se ajustam continuamente à realidade dos pacientes e da rede de saúde, e que a posição dos pacientes não é definida apenas pela ordem de chegada, mas também pela prioridade clínica de cada caso. (Leia a nota completa abaixo)

Luna foi submetida, ainda no sétimo mês de gestação, a um procedimento no Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Goiás (HC-UFG), onde recebeu a implantação de um shunt – um dispositivo cirúrgico utilizado para tratar a hidrocefalia, drenando o excesso de líquido cefalorraquidiano -, utilizado para reduzir a pressão causada pelo acúmulo de líquido no cérebro. A cirurgia foi considerada essencial para preservar o desenvolvimento neurológico da bebê.

O acompanhamento com um especialista é fundamental para avaliar a evolução do quadro e definir a necessidade de uma nova intervenção, como a colocação de uma válvula definitiva. De acordo com a mãe, Luna já apresenta sinais de aumento no tamanho da cabeça.

Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) informou ainda que a solicitação de acompanhamento especializado em neurocirurgia foi cadastrada junto ao Complexo Regulador Estadual, da Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES-GO), já que o município “não dispõe de prestador em sua rede própria para esta especialidade”.

Procurada pelo portal, a SES não enviou posicionamento oficial sobre o caso até o fechamento desta reportagem. O espaço segue aberto.

Nota da SMS:

“A Secretaria Municipal de Saúde informa que a solicitação de acompanhamento especializado em neurocirurgia foi cadastrada junto ao Complexo Regulador Estadual (CRE – SES Goiás), uma vez que a SMS não dispõe de prestador em sua rede própria para esta especialidade.

A pasta destaca que as filas de regulação são dinâmicas e ajustam-se continuamente à realidade dos pacientes e da rede de saúde. A posição dos pacientes não é determinada por ordem de chegada, mas pela prioridade clínica de cada caso”.