‘Estamos diante de um predador sexual’, diz delegada que investiga ginecologista de Goiás
Ginecologista Marcelo Arantes já foi denunciado por pelo menos cinco pacientes atendidas por ele em Goiânia e Senador Canedo

“A forma como as vítimas relataram que foram abordadas, primeiro ganhando a confiança, para depois serem abusadas durante as consultas não deixam dúvidas de que estamos diante de um predador sexual”. Com estas palavras, a delegada Amanda Menuci descreveu o médico Marcelo Arantes e Silva, que foi denunciado por cinco pacientes, por crimes sexuais.
As duas primeiras denúncias contra Marcelo, segundo a delegada, foram feitas em 2017, e 2020. No último dia nove de março, porém, três mulheres procuraram a Delegacia Especializada no Atendimento a Mulher (Deaem), e também afirmaram terem sido abusadas enquanto se consultaram com o profissional.

“Apesar de nenhumas delas se conhecer, todas tem um relato semelhante, onde contam que inicialmente o médico as elogiava, e logo depois passava a fazer gracejos, perguntas íntimas, e passava a mão no corpo delas, mesmo sem o consentimento. Em seguida, ele realizava procedimentos invasivos, como toques nas partes genitais que nada tinham a ver com a consulta”, descreveu a delegada.
Em pelo menos um dos casos, segundo Amanda Menuci, Marcelo fez sexo oral em uma paciente dentro do consultório, após mandar a secretária embora, marcar o atendimento para o início da noite, e trancar a porta do consultório. Outra vítima contou que mesmo tendo levado a filha adolescente após ser assediada em um exame anterior, teve seus seios tocados de forma maliciosa por Marcelo.

Quatro dos casos investigados, segundo a polícia, aconteceram em uma clínica particular que fica no Setor Campinas, em Goiânia, e o outro em Senador Canedo. A delegada que investiga o caso acredita que a divulgação da imagem e do nome do profissional, que atua há mais de 30 anos, poderá encorajar novas vítimas a denunciá-lo.
Justiça negou pedido de prisão mas proibiu investigado de se aproximar das denunciantes
Assim que recebeu as três denúncias no mês passado, e tomou conhecido de que já haviam outras duas registradas anteriormente, a Polícia Civil solicitou a decretação da prisão preventiva do médico. Apesar de negar o pedido, a justiça decretou algumas medidas cautelares, como a proibição para que Marcelo se aproxime ou se comunique com as denunciantes, ou que deixe o município onde mora.
Mesmo sendo as denunciantes maiores de idade, o médico, segundo a delegada, responderá por estupro de vulnerável, já que, quando atacadas, as vítimas estariam impossibilitadas de se defender. No final da manhã desta quinta-feira (16/4), Marcelo Arantes e Silva teve seu direito de exercer a profissão suspenso pelo Conselho Regional de Medicina (CRM). A defesa do profissional não foi localizada para falar sobre o indiciamento dele, mas o espaço está aberto, caso queiram se pronunciar.