Motorista que voltava de balada e matou cozinheira atropelada em Goiânia vai a júri popular
A cozinheira Rosângela Ribeiro, de 51 anos, seguia para o trabalho quando a motocicleta em que estava foi atingida pelo carro do acusado

A Justiça de Goiás determinou que o motorista Ithalo Vilela de Santana, de 27 anos, seja levado a júri popular pela morte da cozinheira Rosângela Ribeiro da Silva, de 51 anos, ocorrida em um acidente de trânsito na Avenida T-9, no Jardim América, em Goiânia. O caso aconteceu no fim da madrugada de uma segunda-feira de novembro de 2024, quando o condutor retornava de uma balada e atropelou a vítima, que estava na garupa de um motociclista por app.
A decisão que levou Ithalo a júri popular é do juiz Jesseir Coelho de Alcântara, da 3ª Vara dos Crimes Dolosos contra a Vida, que entendeu haver indícios suficientes de dolo eventual, quando o acusado assume o risco de provocar a morte. Além do homicídio de Rosângela, Ithalo também vai responder por tentativa de homicídio contra o motociclista por aplicativo Paulo César Soares Ferreira, de 24 anos, que ficou ferido no acidente.
De acordo com as investigações, Ithalo passou a noite ingerindo bebidas alcoólicas em um bar e, posteriormente, em uma boate, junto com um grupo de amigos. Por volta das 5h da manhã, ele deixou o local dirigindo e, ao atravessar o cruzamento da Rua C-148 com a Avenida T-9, avançou o sinal vermelho e atingiu em alta velocidade a motocicleta em que Rosângela estava na garupa.
A cozinheira teve a morte constatada ainda no local do acidente. O motociclista, Paulo César, foi socorrido e encaminhado ao hospital, onde ficou internado por alguns dias e seguiu com a recuperação em casa. Em depoimento, ele afirmou que dirigia devagar, já que a cozinheira contou que tinha medo de andar de motocicleta. Laudos periciais apontaram que o carro dirigido por Ithalo era conduzido a cerca de 88 km/h, em uma via onde o limite permitido é de 40 km/h.
Motorista abandonou o carro e fugiu do local
Após a colisão, Ithalo e um amigo fugiram do local, deixando o veículo para trás. O homem foi localizado e preso poucas horas depois, o que permitiu a realização do teste do bafômetro, que confirmou a embriaguez. O resultado foi reforçado por exame clínico feito no Instituto Médico Legal (IML).
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Inicialmente, a Polícia Civil indiciou o motorista por homicídio com qualificadoras, mas o Ministério Público de Goiás (MPGO) apresentou denúncia sem esses agravantes, mantendo a acusação por homicídio e tentativa de homicídio na modalidade de dolo eventual. Também pesa contra o réu o fato de ter deixado o local do acidente sem prestar socorro.
Defesa alega que motorista perdeu o controle devido a buraco na pista
A defesa do motorista alega que Ithalo é trabalhador, atua como chapeiro em uma hamburgueria, é pai de família e que o acidente teria sido causado pela perda de controle do veículo ao passar por um buraco na pista. Os advogados também alegaram que, apesar de ter consumido bebida alcoólica, isso não caracterizaria automaticamente o dolo eventual.
Ithalo ficou preso por menos de um mês e, desde dezembro de 2024, respondia ao processo em liberdade, com medidas cautelares. Com a decisão, essas restrições foram retiradas, e o réu agora aguarda a definição da data em que será julgado pelo Tribunal do Júri.