Professora descobre câncer com metástase durante gravidez e dá à luz a bebê saudável
Olívia nasceu com 31 semanas e dois quilos durante parto de emergência, cerca de 15 dias depois que mãe descobriu a doença

Na reta final de uma gravidez que parecia seguir seu curso normal, a professora Elisflavia Rodrigues, de 37 anos, recebeu uma notícia devastadora: um câncer no intestino com metástase nos ovários. A descoberta ocorreu por volta da 29ª semana de gestação, período em que a maioria das futuras mães já vislumbra o fim da espera. Para ela, no entanto, começava uma corrida contra o tempo.
Segundo Elisflavia, o obstetra que acompanhou sua gestação agiu rapidamente após a suspeita da doença, agilizando a consulta com um oncologista e a realização de exames. Essa agilidade, segundo ela, foi decisiva para que a complexidade do caso pudesse ser avaliada e gerenciada a tempo. “A cada consulta e exame, a primeira pergunta aos médicos era sobre o estado de saúde da bebê”, conta.
O parto de emergência
Com a piora do quadro clínico e dores intensas, uma equipe multidisciplinar tomou a decisão de realizar o parto de emergência, antes mesmo de completar 32 semanas de gestação. Todo uma equipe interrompeu outras atividades para atender o caso com prioridade.
O diretor médico responsável pela equipe, Wesley Medeiros, comemorou o resultado da intervenção. “Envolvemos a equipe inteira. Mais médicos que não estavam na equipe, nós trouxemos para dentro do hospital para poder dar a melhor assistência, para que a gente tivesse um desfecho favorável e foi o que aconteceu. Foi um milagre!”.
Olívia nasceu com 31 semanas e 5 dias, pesando cerca de 2 quilos, em 6 de abril. A recém-nascida foi encaminhada à Unidade de Terapia Intensiva (UTI) neonatal, onde ficou internada por alguns dias para ganhar peso e realizar exames, mas recebeu alta e foi para casa com a família em boas condições de saúde. A equipe médica considerava grave o quadro clínico das duas e havia baixa expectativa quanto à sobrevivência da mãe durante o parto.
Recuperação e próximos passos
Nos dias seguintes, as atenções voltaram ao tratamento oncológico de Elisflavia e seu estado de saúde apresentou evolução positiva. Após a estabilização, ela deve dar continuidade ao tratamento contra o câncer com acompanhamento especializado. O caso, que ganhou repercussão após a divulgação de um vídeo nas redes sociais, mobilizou internautas e reacendeu o debate sobre saúde materna no país.
O pai de Olívia, Laio Vinícius, se emociona ao lembrar do que a família passou. “No meu coração é só gratidão por eles terem dado a ela [Elisflavia] essa segunda oportunidade de vida para ela prosseguir com esse tratamento daqui para frente”, confessa.
Embora rara, a ocorrência de câncer durante a gestação exige acompanhamento médico rigoroso, decisões complexas e suporte emocional contínuo. Em Goiás, especialistas destacaram a importância do diagnóstico precoce, do acesso a tratamento adequado e da atuação integrada entre equipes de oncologia e obstetrícia — combinação que, no caso de Elisflavia, foi determinante para o desfecho positivo tanto para a mãe quanto para a bebê.
Assista ao vídeo completo: