SUPERAÇÃO

Goiano supera cinco diagnósticos de câncer e escala Everest: ‘viver o impossível’

João Carlos Rodovalho Costa, o João Saci, perdeu uma perna e parte do pulmão na luta contra o câncer. No entanto, se superou e escalou duas das maiores montanhas do mundo

A palavra superação descreve o palestrante goiano João Carlos Rodovalho Costa, conhecido como João Saci, de 42 anos. Depois de enfrentar cinco diagnósticos de câncer e, como consequência, ter uma perna e parte do pulmão retirados, ele chegou onde muitas pessoas almejam, mas poucas conseguem: à do Monte Everest, a montanha mais alta do mundo. 

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A caminhada de 50 km de subida foi realizada em abril de 2022, quando João estava com 37 anos. No entanto, antes de conquistar o Everest, ele teve que enfrentar uma outra maratona de 15 anos para salvar a própria vida. A primeira prova veio ainda cedo, aos 17 anos, em 2001.

O palestrante recebeu o diagnóstico do primeiro tumor, em seu joelho esquerdo. Dois meses depois da primeira cirurgia, João percebeu que o caroço permanecia em seu joelho e, após novos exames, descobriu que se tratava de um câncer. 

“O médico fez a cirurgia e retirou o tumor, mas deixou uma parte dentro. Fiquei sabendo que era câncer pela minha mãe, que recusava o diagnóstico. Em um primeiro momento também não aceitei, era jovem e não conhecia nenhum jovem que tivesse passado pelo câncer. Achava que era mentira”, relembra ao Mais Goiás.

Mesmo fazendo o tratamento, a doença não regrediu e a única solução que os médicos encontraram foi a amputação, impactando diretamente a vida do então jovem. “Falava que não tinha necessidade. Tremia, chorava de medo. Não sabia como a minha vida seria depois da amputação”.

Para aceitar a nova condição, João começou a procurar referências de pessoas amputadas e fazer acompanhamento psicológico, além de ter o apoio da família. Passou por quimioterapias, mas não se deixou abater pela doença. Retomou a prática de esportes, especialmente a natação e, então, começou a contar a história de luta para ajudar pessoas a superarem momentos difíceis e seguirem em frente. 

“Após a amputação me tornei um atleta muito mais completo. Comecei a me dedicar muito mais no esporte, comecei a me empenhar. O esporte foi uma válvula propulsora para a minha vida. Depois que pulei na piscina e vi que nadava tão bem quanto meus amigos que tinha as duas pernas, falei: não vai ser a falta de uma perna que vai me impedir de realizar meus sonhos”, afirma João, que se tornou atleta de natação paraolímpico e chegou a ser campeão brasileiro em 2002.

Enquanto se encontrava, João foi surpreendido novamente em 2009, quando a doença voltou. Desta vez, no pulmão. Ele passou por uma cirurgia para remover o tumor e depois voltou a nadar e a competir, mas no ano seguinte, o mesmo diagnóstico. Devido às inúmeras sessões de quimioterapia, os médicos concluíram que a melhor opção era retirar parte do pulmão. Ao todo, foram quatro tumores no pulmão até 2016. Deste então, ele está em remissão.

A escalada 

Ao superar por completo a doença, João lançou em 2019 o livro “Nascido para vencer – uma vida de superações”. Três anos depois, o atleta foi em busca de novos desafios e, em 2022, fez uma caminhada para o acampamento base do Everest, no Nepal, que fica a uma altitude de 5.364 metros.

João conta que a escalada foi um verdadeiro desafio, visto que o terreno é inóspito e, devido à prótese, a caminhada se torna mais desgastante. A falta de um pulmão também se mostrou uma dificuldade a ser superada, devido a dificuldade de oxigenação. 

“Foi administrar a dor, o corpo e a cabeça para conseguir chegar. Hoje tenho um projeto que se chama ‘Viver o Impossível’, que é de escalar o Everest. Ano passado dei o start nele. Escalei um monte de cinco mil e duzentos metros na Bolívia. Essa montanha foi muito difícil de subir, levei mais de 12 horas para fazer o ciclo”, concluiu.