ANIMAIS PEÇONHENTOS

Goiás registra quatro mortes e 584 acidentes com cobras em apenas quatro meses; saiba como agir

Especialistas alertam que lavar o local com água e sabão é a única medida caseira correta, além de sempre procurar uma unidade de saúde

Quatro mortes e 584 acidentes com cobras em Goiás, em apenas quatro meses, acendem o sinal vermelho para o aumento de ocorrências com animais peçonhentos. Os casos aconteceram entre janeiro e abril deste ano. Nos atendimentos feitos no Hospital de Doenças Tropicais (HDT), unidade de referência em Goiânia, a maioria dos episódios envolve jararacas e cascavéis, que exigem tratamentos específicos e agilidade no pronto-socorro.

Neste ano, dos 542 atendimentos realizados no HDT após acidentes com animais peçonhentos, 170 foram causados por cobras.

Foto da cobra
Pode ser encontrada em locais mais altos, o que exige atenção redobrada em áreas de mata (Foto: Instituto Butantan)

A Jararaca (Botrópico) lidera o ranking com 122 casos. O ataque dela pode causar dor intensa, inchaço e sangramentos. De acordo com o Instituto Butantan, a jararaca é uma caçadora noturna que ataca por bote ao se sentir ameaçada. Um detalhe importante: seu veneno muda com a idade. Nos filhotes, é mais anticoagulante; nos adultos, a ação inflamatória local é devastadora.

Imagem da cascavel
O veneno ataca o sistema nervoso e sobrecarrega os rins rapidamente (Foto: Instituto Butantan)

Já a Cascavel (Crotálico) registrou 26 ocorrências. Segundo especialistas, o veneno é neurotóxico, podendo causar visão turva e dificuldade para respirar. Ao contrário de outras espécies, a picada da cascavel muitas vezes não causa dor forte nem inchaço imediato, o que faz com que a vítima subestime o acidente. O risco, porém, é gravíssimo, já que o veneno ataca o sistema nervoso e sobrecarrega os rins rapidamente.

Os acidentes acusados por cobras não peçonhentas somaram 17 atendimentos.

Vítima

O susto ainda está fresco na memória de Ramon dos Santos Nascimento. O autônomo, morador de Goiânia, está internado há duas semanas após ser atacado por uma jararaca durante uma pescaria. “Acho que pisei em cima dela, aí ela mordeu e segurou meu pé”, relembra. O homem sentiu queimação imediata e cansaço extremo. Apesar de já ter recebido o soro, ele confessa: “Dá muito medo, fica o trauma”.

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Mitos que podem ser fatais

Diretora técnica do HDT, a infectologista Thaís Safatle alerta que o desespero na hora do acidente pode levar a erros fatais. Segundo ela, práticas populares como tentar sugar o veneno ou fazer torniquetes (amarrar o membro) são perigosas e podem piorar a situação.

“O correto é lavar o local apenas com água e sabão e buscar socorro médico imediatamente”, pontua a médica. O tempo é o fator determinante: quanto mais rápido o soro antiveneno for administrado, menores são as chances de sequelas ou morte.

Para quem trabalha no campo ou frequenta áreas de lazer com vegetação, o uso de botas de cano alto ou perneiras é indispensável. A recomendação é nunca colocar as mãos em buracos ou fendas sem visibilidade.

Em caso de acidente, qualquer unidade de saúde pode realizar o primeiro atendimento. Para orientações imediatas sobre o que fazer, a população pode ligar para o Ciatox-GO, que funciona 24 horas através dos contatos: 0800 646 4350 e 0800 722 6001.

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