ALERTA EPIDEMIOLÓGICO

Goiás soma 115 mortes por doenças respiratórias; UTIs estão no limite

Com 112 pedidos de internação em um único dia e baixa vacinação, Governo de Goiás antecipa decreto de emergência

O avanço da Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) já causou 115 mortes em Goiás este ano e levou a rede estadual de saúde à beira do colapso. Somente nas últimas 24 horas, 112 pacientes aguardavam na fila por uma vaga de internação. De acordo com o secretário de Saúde, Rasílio Santos, a situação é alarmante pela velocidade da transmissão. “A gente está tendo um aumento mais precoce. Ontem tivemos um pico de pedidos de internação com a nossa capacidade já próxima de 100% de ocupação”, alertou.

Diante desse cenário, o Governo do Estado publicou, na quarta-feira (15), um decreto de emergência para reorganizar a assistência e evitar novos óbitos. A medida ocorre um mês antes do previsto, já que o pico das doenças respiratórias costuma ser em maio. O objetivo, segundo o governo de Goiás, é garantir o custeio federal de leitos e agilizar a resposta hospitalar em um momento de pressão extrema.

A crise é agravada pela carência de vagas para o público infantil. A subsecretária Amanda Melo destacou que a rede perdeu 16 leitos de UTI pediátrica em Goiânia devido ao fechamento de unidades em hospitais como o das Clínicas e o IGOP. “Esses leitos fazem falta. Representam cerca de 50 crianças graves por mês que poderiam estar sendo atendidas adequadamente”, explicou.

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Baixa vacinação

Embora o estado enfrente a circulação de vírus como o Sincicial Respiratório e a Influenza A (incluindo a nova linhagem subclado K), o principal vilão apontado pelas autoridades é a baixa adesão à vacina. Atualmente, apenas 16,19% dos grupos prioritários se imunizaram em Goiás.

Dados da Secretaria indicam que, no ano passado, 70% das internações ocorreram em pessoas que não tinham tomado a vacina. “O maior número de óbitos acontece entre os idosos. Um que se vacinar é um a menos para transmitir e um a menos para complicar”, reforçou Rasílio Santos, conclamando prefeitos a manterem salas de vacina abertas inclusive em horários de almoço e feriados.

Novas estratégias e recomendações

Com o decreto de emergência, o Estado passa a oferecer incentivos financeiros de até R$ 2 mil por diária para hospitais municipais e filantrópicos que abrirem novos leitos de UTI para doenças respiratórias. O objetivo é criar uma rede de retaguarda para desafogar os grandes centros.

Enquanto a rede é ampliada, a recomendação é que a população retome cuidados básicos. Amanda Melo orienta o uso de máscaras para pessoas com sintomas gripais e reforça o alerta aos pais. “Criança doente tem que ficar em casa, não deve ir para a escola para não contaminar outras”, pontuou. O governo também disponibiliza o medicamento antiviral Oseltamivir (Tamiflu) gratuitamente em unidades de saúde para pacientes com prescrição médica, preferencialmente nas primeiras 48 horas de sintomas.

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