ÁUDIO COMPLETO

Irmão diz que suspeito de matar jovem em supermercado de Iporá ‘ouvia vozes’

Rapaz afirma que tentou impedir o suspeito de sair de casa no dia do crime

A família do jovem de 20 anos preso por matar a colega de trabalho Natasha Eduarda Alves de Sá, de 21 anos, com nove facadas dentro de um supermercado em Iporá, no Oeste de Goiás, afirma que ele apresentava histórico de transtornos psicológicos, crises de raiva e relatava ‘ouvir vozes’ antes do crime. Em um áudio obtido com exclusividade pelo Mais Goiás, o irmão do suspeito afirma que eles já haviam buscado ajuda médica diversas vezes e que o suspeito fazia uso de medicamentos controlados, mas não apresentava melhora. O assassinato, conforme o irmão, teria sido motivado por uma situação de deboche. O investigado afirmou à Polícia Militar que teria agido por vingança.

O homem detido pelo crime havia sido demitido recentemente do supermercado. O irmão afirma que ele se sentiu humilhado após um desentendimento com uma fiscal do estabelecimento, a qual teria rido dele após uma advertência feita pelo gerente. “Ele não gosta de deboche. Aquilo ficou na cabeça dele. Ele não consegue esquecer”, relatou.

Ouça a declaração completa obtida pelo Mais Goiás com exclusividade:

https://uploads.maisgoias.com.br/2026/01/21153340/Irmao-de-preso-por-matar-fiscal-em-supermercado-de-Ipora-revela-que-suspeito-sofre-com-transtornos-psiquiatricos.ogg

‘Pedi pra ele ficar em casa’

A família afirma que apenas um superior tinha conhecimento do quadro psicológico do jovem e que os demais colegas não sabiam da situação.

Ainda conforme o relato, o irmão tentou impedir que ele saísse de casa no dia do ataque. “Eu pedi para ele ficar, para se acalmar. Mas ele saiu. Horas depois, voltou e disse que tinha esfaqueado a fiscal”, afirmou. Pouco tempo depois, a família recebeu ligações informando sobre o crime. O jovem foi localizado e preso em flagrante.

Histórico psicológico

“Os médicos só falavam para ele tomar remédio. A ansiedade só aumentava, ele ficava mais estressado, com mais raiva”, disse. Segundo o relato, o investigado teria começado a apresentar mudanças de comportamento ainda na adolescência, após a separação dos pais. A família afirma que, desde então, ele passou a ter episódios de agressividade, impulsos e isolamento.

O irmão afirma ainda que o suspeito chegou a relatar a profissionais de saúde que ouvia vozes que o incentivavam a se machucar ou a cometer atos violentos. Em uma das situações descritas, ele teria tido um surto durante atendimento em uma unidade de saúde mental.

A família também relata que, em casa, facas precisavam ser escondidas por medo de que ele se ferisse. Em outro episódio, segundo o irmão, o jovem teria quebrado um espelho e se cortado após um momento de crise.

Leia mais

Investigação

Natasha morreu após ser atacada dentro do supermercado, na tarde de terça-feira (20). Ela chegou a ser socorrida e levada à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do município, mas não resistiu aos ferimentos. A jovem era natural de Piranhas e morava em Iporá.

Segundo o delegado Bruno de Paula Ferreira, do Grupo Especial de Investigação Criminal (Geic), o suspeito confessou o crime no momento da abordagem. Ele teria afirmado à Polícia Militar que agiu por vingança após a demissão, no entanto, durante o depoimento manteve-se em silêncio.

A Polícia Civil investiga o caso como homicídio qualificado.

Leia também