Ex-presidente do Sindicato Rural de Rio Verde acusado de abuso: Justiça ouve testemunhas
Ao todo, 37 pessoas devem prestar depoimento no processo que corre em segredo de Justiça; defesa de Olávio Teles afirma confiar que "verdade prevalecerá ao final da instrução"

A Justiça de Rio Verde iniciou, nesta semana, a audiência de instrução e julgamento de Olávio Teles Fonseca, ex-presidente do Sindicato Rural da cidade. O homem é acusado pelos crimes de estupro, abuso sexual, coação e violência psicológica contra quatro funcionárias — incluindo uma menor de idade.
Ao todo, devem ser ouvidas dez testemunhas da defesa nesta quinta-feira (12). Olávio está preso desde novembro de 2025. No mesmo mês, ele renunciou ao cargo de presidente do Sindicato.
A audiência de instrução e julgamento começou na quarta-feira (11), também com dez depoentes, e se estendeu até a noite. É possível que ainda nesta quinta-feira uma sentença seja proferida, a depender do horário em que os depoimentos terminem.
O Mais Goiás procurou a defesa de Olávio para se manifestar. Os advogados Mirelle Gonsalez Maciel, Marcus Vinícius Ribeiro Almeida, Yan Henrique Silva dos Santos e Jéssica Martins Cruvinel, disseram, em nota, que a “audiência de instrução e julgamento em continuação nesta data transcorre com tranquilidade e dentro da normalidade processual”.
Segundo eles, devido ao número de pessoas a serem ouvidas (37 ao todo), os trabalhos naturalmente demandam mais tempo, não havendo, neste momento, previsão exata para o encerramento da audiência. “A defesa acompanha os depoimentos com serenidade e confiança, acreditando que o conjunto das oitivas contribuirá para o completo esclarecimento dos fatos, reafirmando a convicção de que a verdade processual prevalecerá ao final da instrução.”
Denúncia
Com base nos relatos colhidos, nas provas reunidas e na gravidade dos fatos, o Ministério Público de Goiás denunciou o ex-presidente da entidade, Olávio Teles Fonseca, por crimes sexuais, violência psicológica e coação.
A denúncia aponta que os abusos aconteciam dentro da sala da presidência, único ambiente sem câmeras de segurança. O local possuía isolamento acústico e uma trava eletrônica controlada exclusivamente por Olávio. Segundo os depoimentos, as vítimas eram chamadas ao espaço durante o expediente sob o pretexto de tratar de assuntos administrativos, mas relataram ter sido submetidas a comentários sobre seus corpos, toques sem consentimento e práticas de cunho sexual.
Com o aumento das suspeitas entre os servidores, Olávio teria negado as acusações e chorado, interrompendo os episódios. Ainda assim, relatos indicam que a perseguição às vítimas se intensificou. Funcionárias afirmaram que o ex-presidente se dizia influente, rico e que nunca seria preso. Ele também teria afirmado que poderia matar quem se voltasse contra ele.
As investigações começaram em setembro, após uma denúncia anônima, e resultaram na prisão de Olávio em 12 de novembro, na sede do sindicato. Em nota, a entidade informou que o ex-presidente pediu afastamento voluntário e reforçou que não compactua com práticas que violem princípios éticos ou institucionais.
Naquele momento, a defesa de Olávio afirmou ter recebido a denúncia com “absoluta tranquilidade” e declarou que nenhuma acusação será comprovada ao longo do processo. Os advogados alegam que não há justificativa para a prisão preventiva e sustentam que o cliente possui residência fixa e atividade lícita. Em razão do segredo de justiça, disseram não poder comentar detalhes do caso.