CRIME BÁRBARO

Justiça recebe denúncia e torna réus os cinco acusados de chacina no DF

Segundo os promotores, eles cometeram mais de 100 crimes e, caso sejam condenados, a pena somada pode chegar a 385 anos de reclusão

A Justiça tornou réus os cinco acusados da chacina de dez pessoas da mesma família no Distrito Federal: Gideon Batista de Menezes, Horácio Carlos Ferreira Barbosa, Carlomam dos Santos Nogueira, Carlos Henrique Alves da Silva e Fabricio Silva Canhedo. O Tribunal do Júri de Planaltina aceitou a denúncia na terça-feira (7).

O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) ofereceu a denúncia no último dia 2. Segundo os promotores de Justiça, os réus cometeram mais de 100 crimes e, caso sejam condenados, a pena somada pode chegar a 385 anos de reclusão.

O crime, que ocorreu entre o fim do ano passado e começo de 2023, ficou conhecido como “chacina no DF”.

O MP resume os crimes de cada réu:

Gideon Batista de Menezes: homicídio triplamente qualificado (emprego de meio cruel, uso de recurso que dificultou a defesa da vítima e intenção de obter impunidade para outro crime), homicídio duplamente qualificado (uso de recurso que dificultou a defesa da vítima e intenção de obter impunidade para outro crime), ocultação e destruição de cadáver, corrupção de menores, sequestro e cárcere privado, extorsão mediante sequestro, constrangimento ilegal com uso de arma, associação criminosa e roubo.

Horácio Carlos Ferreira Barbosa: homicídio quadruplamente qualificado (emprego de meio cruel, uso de recurso que dificultou a defesa da vítima, intenção de obter impunidade para outro crime e vítima menor de 14 anos), homicídio triplamente qualificado (emprego de meio cruel, uso de recurso que dificultou a defesa da vítima e intenção de obter impunidade para outro crime), homicídio duplamente qualificado (uso de recurso que dificultou a defesa da vítima e intenção de obter impunidade para outro crime), ocultação e destruição de cadáver, corrupção de menores, extorsão mediante sequestro, sequestro e cárcere privado, constrangimento ilegal com uso de arma, associação criminosa, roubo e fraude processual.

Carlomam dos Santos Nogueira: homicídio quadruplamente qualificado (uso de recurso que dificultou a defesa da vítima, intenção de obter impunidade para outro crime e vítima menor de 14 anos), homicídio triplamente qualificado (emprego de meio cruel, uso de recurso que dificultou a defesa da vítima e intenção de obter impunidade para outro crime), extorsão mediante sequestro, corrupção de menor, ocultação e destruição de cadáver, sequestro e cárcere privado, ameaça com uso de arma, associação criminosa, constrangimento ilegal com uso de arma e roubo.

Carlos Henrique Alves da Silva: homicídio duplamente qualificado (recurso que dificultou a defesa da vítima e intenção de obter impunidade para outro crime) e sequestro e cárcere privado.

Fabrício Silva Canhedo: extorsão mediante sequestro, associação criminosa, roubo e fraude processual.

Chacina no DF

Conforme as investigações sobre a chacina no DF, Gideon, Horácio, Fabrício e Carlomam se juntaram para tomar a chácara Quilombo, no Itapoã. Ela estava em posse de Marcos Antônio Lopes de Oliveira. Além disso, fazia parte do plano subtrair valores em dinheiro da família de Marcos. Sendo assim, o plano inicial era matá-lo e sequestrar pessoas de sua família.

Foi em 27 de dezembro que Gideon, Horácio e Carloman, acompanhados de um adolescente, foram à residência de Marcos, onde também estavam sua esposa, Renata Juliene Belchior, e sua filha, Gabriela Belchior de Oliveira. Marcos foi atingido por um tiro e as duas mulheres foram rendidas. Os criminosos, então, roubaram a quantia de R$ 49,5 mil que estava no local e pertenceria a Marcos. Em seguida, os três foram levados para um cativeiro na região do Vale do Sol, em Planaltina. Ali, o patriarca foi morto por Gideon e Horácio, que enterraram o corpo no mesmo terreno com a ajuda de Carloman e do adolescente. Enquanto isso, as mulheres permaneciam presas pelos suspeitos.

Já na manhã de 28 de dezembro, Fabrício assumiu a vigilância do cativeiro e o adolescente fugiu do local. O motivo não foi revelado. Enquanto isso, conforme o MP, as vítimas eram ameaçadas para que fornecessem as senhas de seus celulares e de contas bancárias. Com estas informações, o grupo se passou por elas para monitorar os passos de Cláudia da Rocha Marques e Ana Beatriz Marques de Oliveira, respectivamente, ex-esposa e filha de Marcos. Eles queriam atraí-las para uma emboscada para roubar R$ 200 mil referentes à venda de um lote.

Foi entre 2 e 4 de janeiro que Gideon, Horácio e Carloman foram à casa das duas, ocasião em que as mulheres foram rendidas, amarradas e levadas para o cativeiro onde já estavam as outras duas vítimas. No local, elas também foram ameaçadas para fornecer as senhas dos celulares e de contas bancárias.

Com este acesso, o trio passou a pensar que o filho de Marcos e Renata, Thiago Gabriel Belchior de Oliveira, poderia atrapalhar os planos e, por isso, decidiram matá-lo em 12 de janeiro, quando o atraíram à Chácara Quilombo com celular das vítimas. O MP narra que o rapaz foi rendido por Carloman e Carlos Henrique, enquanto Horácio fingia também ser vítima da abordagem. O homem, então, foi levado ao cativeiro onde estavam as quatro mulheres.

O grupo também conseguiu acesso ao celular de Thiago e passaram a fazer contato com a esposa dele, Elizamar, para também matá-la. Eles atraíram a mulher e os três filhos pequenos à Chácara Quilombo e renderam eles, que foram levados a Cristalina (GO). Na cidade goiana, eles foram estrangulados até a morte e os corpos incinerados dentro do carro de Elizamar.

No cativeiro, Gideon, Horácio e Carloman decidiram matar as demais vítimas para garantir que os outros crimes não fossem descobertos. Foi então que, em 14 de janeiro, Renata e Gabriela foram levadas até Unaí (MG), onde também foram estranguladas até a morte e tiveram seus corpos queimados. Depois desse duplo assassinato, Fabrício aparentemente se desentendeu com Gideon, Horácio e Carloman e deixou a empreitada.

No dia 15, Gideon determinou que os outros dois matassem Claudia, Ana Beatriz e Thiago. Ainda conforme o MP, os três foram levados a uma cisterna próxima ao cativeiro e executados a golpes de faca. Os corpos foram escondidos na cisterna. Fabrício e Horácio voltaram ao cativeiro e atearam fogo a objetos das vítimas com o objetivo de atrapalhar as investigações no caso da chacina no DF.