‘Legítima defesa’: A versão do síndico sobre a morte de Daiane em Caldas Novas
Elementos periciais indicam que a dinâmica do homicídio pode ter sido diferente da versão apresentada pelo suspeito

A primeira versão oficial do síndico Cleber Rosa sobre a morte da corretora Daiane Alves, em Caldas Novas, é de que ele teria agido em legítima defesa. A declaração, segundo informações de fontes ligadas à investigação, consta no inquérito da Polícia Civil sobre o caso. A alegação do assassino confesso é de que ele estava no subsolo do condomínio por acaso, dentro do Almoxarifado, quando Daiane Alves teria aparecido. No relato, o síndico afirmou que o padrão de energia fica próximo da porta do depósito e que, ao chegar para religar os disjuntores, Daiane teria aparecido com abordagem agressiva. A partir de então, nas palavras dele, ambos teriam entrado em uma luta corporal, a qual terminou com o disparo que atingiu Daiane. A versão, no entanto, vem sendo confrontada por meio de provas e evidências.
Os testes de balística realizados no condomínio na última sexta-feira (30/1) fazem parte justamente do esforço da Polícia Civil para verificar se a dinâmica apresentada por Cleber é compatível com os vestígios técnicos. Até o momento, porém, a perícia não encontrou rastros de sangue no subsolo, local onde o síndico diz que o disparo ocorreu.
Além disso, o sistema de monitoramento do prédio apresentou um apagão de aproximadamente oito minutos, exatamente no intervalo em que a polícia acredita que o crime possa ter ocorrido. Para os investigadores, se o encontro tivesse sido realmente casual, não haveria motivo para o desligamento das câmeras nesse período.
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Outro ponto que enfraquece o relato do síndico é o fato de que as luzes do subsolo estavam apagadas e só foram acionadas quando Daiane saiu do elevador. Caso Cleber já estivesse no local, como afirmou, o ambiente deveria estar iluminado.
A posição do projétil encontrado no crânio da vítima também levanta dúvidas sobre a tese de luta corporal. Cleber afirmou que Daiane era praticante de jiu-jitsu e que, durante a briga, ele teria atirado para se defender. No entanto, peritos avaliam que a trajetória do disparo não é compatível com um confronto físico de curta distância.

Por fim, outros elementos reforçam a suspeita de ocultação de provas, como o fato de o celular da corretora ter sido encontrado dentro da caixa de esgoto do condomínio — um local de difícil acesso — e a ausência de vestígios biológicos no ponto onde, segundo o síndico, tudo teria acontecido.
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