ESTÁ SENDO INVESTIGADO

Mãe diz que gestor de São Simão fez videochamada e mostrou genitálias a seu filho

A mãe de um adolescente de 15 anos, que preferiu não ter a identidade revelada,…

A mãe de um adolescente de 15 anos, que preferiu não ter a identidade revelada, denuncia que o prefeito de São Simão, Francisco de Assis Peixoto (PSDB), fez uma videochamada com o filho dela e mostrou as suas genitálias ao menino. Francisco foi preso na quarta-feira (28), em Goiânia, durante cumprimento de mandado de prisão e é investigado por suspeita de crime contra a dignidade sexual de menores.

Segundo a mãe do jovem, o prefeito se aproximou do menino por meio de mensagens de celular. “Meu filho recebeu uma mensagem escrita: ‘bem-vindo’. Ele perguntou quem era. Aí ele se identificou e falou: ‘é o Assis’. Meu filho perguntou se era o prefeito. Ele respondeu que sim”, relata.

A mãe ressalta, também, que o político havia feito outras chamadas com o menino antes de mostrar as partes íntimas, mas quando ela viu que o caso se tratava de um crime, conversou com o adolescente. “Meu filho foi tão inteligente que ele gravou a chamada. Falei: ‘meu filho, isso é caso de polícia, não está certo”.

Em uma captura de tela feita pelo celular do rapaz, é possível ver o rosto do prefeito. Após o menino fazer gravação, a mãe procurou o Conselho Municipal de Segurança Pública para pedir ajuda. No local, a presidente do conselho entregou o celular do adolescente para o promotor de Justiça investigar o caso.

O Mais Goiás entrou em contato com a prefeitura de São Simão, que informou por meio de uma nota que “são acusações infundadas, que serão esclarecidas ao longo das investigações”. A reportagem entrou em contato com o PSDB, por e-mail, e aguarda retorno.

Prisão

O prefeito de São Simão, Francisco de Assis Peixoto (PSDB), foi preso na tarde desta quarta-feira (28) a pedido do Ministério Público de Goiás (MP-GO). Ao todo, seis vítimas fizeram denúncias ao órgão.

A prisão do gestor integrou a Operação Paideia, deflagrada pelo MP-GO com o apoio da Polícia Civil (PC). Foram cumpridos também três mandados de busca e apreensão. O processo corre em segredo de justiça, uma vez que o suposto crime envolve menores de idade. Por esse motivo, não foram passadas mais informações.

Outra vítima

Uma das supostas vítimas do prefeito, o jornalista Luís Manuel Araújo, se manifestou sobre o caso nas redes sociais. Em uma postagem, ele afirmou que fez a denúncia ao Ministério Público de Goiás (MP-GO) e que sofreu abusos sexuais entre os anos de 2001 e 2007, quando tinha 9 anos.

Segundo o comunicador, por conta do crime, desenvolveu graves transtornos mentais e toma remédios para tratar os traumas causados pelos abusos. “A cidade merece essa minha satisfação. Dinheiro não me compra, eu já defendi muito ele, agora estou enfim liberto dessa sombra na minha vida”.

“É uma coisa que aconteceu comigo e que eu não gostaria que acontecesse com outras pessoas. Eu acho que preciso fazer isso para me libertar do que aconteceu e tocar a minha em frente. Hoje eu sou um cara com traumas. Eu tomo cinco remédios psiquiátricos todo dia antes de dormir. Desde o início do meu tratamento eu engordei 30 quilos”, disse a vítima.

“[…] Eu não estou culpando diretamente ele, mas o processo, o tempo do abuso, o tempo dessa situação e o sofrimento dia após dia são os desdobramentos. […] Um abuso pode ficar em um dia só, mas as marcas e as consequências vão repercutindo dia após dia. A ideia entra na sua cabeça e você não sabe o que você faz. Se você chora, se você morre, se você grita, se você finge que nada está acontecendo”, completou.

Ficou em silêncio

Em depoimento ao Ministério Público, Francisco Assis Peixoto utilizou o direito constitucional de permanecer em silêncio nesta quinta-feira (29), na sede do Centro Integrado de Investigação e Inteligência (CIII), em Goiânia. Segundo o órgão, as investigações continuam em andamento e devem ser concluídas na próxima semana.

“O Ministério Público está à disposição para receber depoimentos de outras possíveis vítimas e que as denúncias podem ser encaminhadas por intermédio do sistema MP Cidadão (https://www.mpgo.mp.br/portal/pagina/atendimento-ao-cidadao) ou pelos telefones da Promotoria de Justiça de São Simão (64 3658-1242 e 64 99347-4647). Os nomes dos denunciantes permanecerão em sigilo”, informou.

Operação Paideia

A Operação Paideia foi realizada pelo MP-GO e pela Polícia Civil na quarta-feira (28), com o cumprimento de três mandados de busca e apreensão, em São Simão, e de prisão preventiva em Goiânia. Participaram da operação 4 promotores de Justiça, 4 delegados da Polícia Civil e 12 policiais civis. O Centro de Inteligência do MP-GO apoiou a operação.

“Paideia é um termo do grego antigo, que procura sintetizar a noção de educação na sociedade grega clássica. O termo tem relação com a educação voltada para as crianças, referindo-se à educação familiar, bons modos e princípios morais”, finalizou o Ministério Público.