Menino envenenado em Alto Horizonte recebe alta uma semana após morte da irmã
Criança de 8 anos que também foi envenenado com chumbinho durante o jantar segue com a recuperação em casa. Padrasto continua preso

O irmão de Weslenny Rosa Lima, que morreu após ser envenenada com chumbinho em Alto Horizonte, na região Norte de Goiás, recebeu alta médica no domingo (4), após passar cerca de uma semana internado. O garoto, de 8 anos, havia ingerido a mesma refeição que a irmã e apresentou sintomas graves, mas conseguiu se recuperar.
Ele estava internado desde o dia 28 de março no Hospital Estadual do Centro-Norte Goiano (HCN), em Uruaçu, onde precisou ficar na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e passar por uma lavagem gástrica até apresentar melhora clínica e seguir com a recepuração na enfermaria.
Depoimento no hospital
Durante a internação, o menino conversou com o delegado responsável pelo caso, Domênico Rocha, e contou que ele e a irmã teriam sofrido agressões do padrasto, R.A.O., que está preso preventivamente e é o principal suspeito do crime.
“Não era algo frequente, mas a criança disse que ele (padrasto) agredia não só a ele (menino), mas também a irmãzinha que morreu”, relatou o delegado. A criança ainda relatou que a mãe e o padrasto brigavam com frequência e que o pai biológico de Weslenny não gostava do suspeito.

Crianças envenenadas
A irmã do menino, Weslenny Rosa Lima, de 9 anos, morreu após passar mal ao consumir uma refeição preparada pelo padrasto na casa da família. A a morte foi confirmada no dia seguinte. De acordo com a investigação, exames periciais confirmaram que a comida estava contaminada com “chumbinho”, um veneno altamente tóxico, ilegal no Brasil e frequentemente utilizado para eliminar ratos. Na casa da família, os investigadores encontraram uma panela com arroz contendo a substância.
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Os laudos também apontaram que o mesmo veneno foi responsável pela morte de quatro gatos na vizinhança e o exame cadavérico confirmou que Weslenny morreu em decorrência de intoxicação causada pelo chumbinho.
Defesa alega inocência
A defesa de Ronaldo Alves de Oliveira, 46 anos, nega as acusações e afirma que o menino não havia relatado episódios anteriores de violência e pode ter sido instruído pelo pai. “Tal fato não foi relatado por nenhum dos familiares ouvidos no sábado (28/3). Versão que só aparece nesse momento, em que supostamente estaria acompanhada do pai, que neste momento quer justiça, não importa quem atinja”, diz o advogado Tiago Custódio dos Santos, em nota.
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A Polícia Civil não descarta a possibilidade de participação de outras pessoas no caso, incluindo a mãe das crianças, N.A.. As investigações continuam para esclarecer a motivação do crime e a origem do veneno.