MP investiga aporte de R$ 40 milhões da prefeitura de Aparecida no Banco Master
Além de Goiás, Ministérios Públicos de ao menos outros cinco estados investigam aplicações realizadas por fundos previdenciários locais

Aportes milionários realizados por fundos previdenciários estaduais e municipais no Banco Master são alvo de investigações conduzidas pelos Ministérios Públicos de ao menos seis estados, entre eles Goiás. O Ministério Público de Goiás (MPGO) confirmou ao Mais Goiás, nesta sexta-feira (30), que a 18ª Promotoria de Justiça de Aparecida de Goiânia instaurou procedimento investigativo para apurar aplicações feitas pelo município na instituição financeira. O inquérito está em andamento e tramita sob sigilo.
Os autos analisam um investimento de aproximadamente R$ 40 milhões feito pelo fundo previdenciário da prefeitura de Aparecida de Goiânia na instituição financeira. A reportagem procurou o município para comentar o caso. O Executivo reforçou que a aplicação foi realizada pela administração do ex-prefeito Vilmar Mariano, em junho de 2024.
Em outro trecho da nota encaminhada à reportagem do Mais Goiás, a administração destacou que “a aplicação foi realizada em instituição financeira com nota inferior ao permitido pela política vigente do AparecidaPrev, contrariando os critérios estabelecidos”.
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E continuou: “Assim que assumiu a gestão, em janeiro de 2025, a atual presidente do AparecidaPrev, Márcia Tinoco, notificou o Conselho Deliberativo da Previdência, comunicou formalmente os órgãos de controle e apresentou denúncia ao Ministério Público e ao Ministério da Previdência, para que sejam apuradas as responsabilidades.” (Leia a nota completa ao final da reportagem)
O AparecidaPrev, por sua vez, disse no início deste ano que iria se habilitar como credor para receber o que foi aplicado e os rendimentos. E ainda: “Diante do patrimônio atual do AparecidaPrev de cerca de R$ 1 bilhão, nenhum aposentado ou pensionista do AparecidaPrev será prejudicado.”
Além de Goiás, também instauraram investigações os Ministérios Públicos de Alagoas, Amapá, Amazonas, Rio de Janeiro e São Paulo, diante de aplicações semelhantes realizadas por fundos previdenciários locais.
Em novembro, o Ministério da Previdência Social informou que 18 fundos previdenciários estaduais e municipais mantinham, juntos, R$ 1,8 bilhão aplicados em letras financeiras do Banco Master. Os dados foram extraídos do Sistema de Informações dos Regimes Públicos de Previdência Social (Cadprev).
O maior volume de recursos foi identificado no Rio de Janeiro. O Rioprevidência declarou investimentos de R$ 970 milhões em letras financeiras da instituição. No entanto, cálculos do Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ) apontam que o montante pode ultrapassar R$ 1,2 bilhão.
A principal preocupação de estados e municípios passa pelo fato de que as letras financeiras não contam com cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), o que garante em caso de crises o ressarcimento dos valor aplicado. AparecidaPrev diz que patrimônio garantirá que nenhum aposentado ou pensionista seja prejudicado (Foto: Divulgação/Prefeitura de Aparecida)
Agora, com a liquidação do Master pelo Banco Central, há receio de que os valores investidos não sejam acessados, já que esses ativos passam a integrar a massa de credores da instituição.
O caso do Banco Master, controlado pelo empresário Daniel Vorcaro, ganhou repercussão nacional após a Polícia Federal apontar indícios de que a instituição teria tentado vender R$ 12,7 bilhões em carteiras de crédito supostamente falsas ao Banco de Brasília (BRB).
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Até o momento, investigações conduzidas pela Polícia Federal, pelo Banco Central e pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) indicam a existência de um esquema bilionário de fraudes financeiras supostamente liderado por Vorcaro.
A Polícia Federal segue ouvindo suspeitos de participação no esquema. Daniel Vorcaro e pessoas próximas, como o cunhado Fabiano Zettel, chegaram a ser presos. A operação, batizada de Compliance Zero, está em andamento.
A quebra do Banco Master afetou mais de 1,6 milhão de clientes e pode gerar um rombo superior a R$ 47 bilhões ao FGC.
Fontes ligadas às investigações apontam que o caso pode ter desdobramentos relevantes no meio político e jurídico. Isso porque Vorcaro mantinha trânsito livre em círculos de poder, o que tem gerado tensão em Brasília diante do avanço das apurações.
Veja a lista dos fundos previdenciários com aplicações no Banco Master:
- Estado do Amapá (AP): R$ 400 milhões
- Estado do Amazonas (AM): R$ 50 milhões
- Estado do Rio de Janeiro (RJ): R$ 970 milhões
- Município de Angélica (MS): R$ 2 milhões
- Município de Aparecida de Goiânia (GO): R$ 40 milhões
- Município de Araras (SP): R$ 29 milhões
- Município de Cajamar (SP): R$ 87 milhões
- Município de Campo Grande (MS): R$ 1,2 milhão
- Município de Congonhas (MG): R$ 14 milhões
- Município de Fátima do Sul (MS): R$ 7 milhões
- Município de Itaguaí (RJ): R$ 59,6 milhões
- Município de Jateí (MS): R$ 2,5 milhões
- Município de Maceió (AL): R$ 97 milhões
- Município de Paulista (PE): R$ 3 milhões
- Município de Santa Rita d’Oeste (SP): R$ 2 milhões
- Município de Santo Antônio de Posse (SP): R$ 7 milhões
- Município de São Gabriel do Oeste (MS): R$ 3 milhões
- Município de São Roque (SP): R$ 93,15 milhões
A lista foi elaborada a partir de informações do Ministério da Previdência Social, com base em dados extraídos do Cadprev em 1º de novembro de 2025.
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Nota da Prefeitura de Aparecida
“A aplicação de R$ 40 milhões do Instituto de Previdência dos Servidores de Aparecida (AparecidaPrev) em letras financeiras do Banco Master foi realizada pela administração do ex-prefeito Vilmar Mariano, em junho de 2024.
“A instituição financeira foi apresentada ao instituto de previdência pelo ex-secretário da Fazenda de Aparecida, Einstein Paniago, que fazia parte do conselho de investimentos e presidiu o AparecidaPrev antes de virar secretário da Fazenda na administração de Vilmar Mariano.
“Como a aplicação foi realizada em instituição financeira com nota inferior ao permitido pela política vigente do AparecidaPrev contrariando os critérios estabelecidos, assim que assumiu a gestão, em janeiro de 2025, a atual presidente do AparecidaPrev, Márcia Tinoco, notificou o Conselho Deliberativo da Previdência, e comunicou formalmente os órgãos de controle e apresentou denúncia ao Ministério Público e ao Ministério da Previdência, para que sejam apuradas as responsabilidades.
“A aplicação por estar vinculada a prazo de longo período – 10 anos – , não pôde ser resgatada. Até outubro de 2025, a aplicação havia rendido R$ 7 milhões. Com a liquidação extrajudicial do Banco Master pelo Banco Central, o AparecidaPrev vai se habilitar como credor para receber o que foi aplicado e os rendimentos.
“A atual gestão do AparecidaPrev reforça que tem atuado com transparência e responsabilidade para proteger o patrimônio previdenciário dos servidores municipais, adotando todas as medidas cabíveis para resguardar os recursos do Regime Próprio de Previdência Social.
“Diante do patrimônio atual do AparecidaPrev de cerca de R$ 1 bilhão nenhum aposentado ou pensionista do AparecidaPrev será prejudicado.“