DANO AMBIENTAL

MP investiga projeto que cria 190 vagas de estacionamento no Parque das Laranjeiras, em Goiânia

Moradores denunciam risco ambiental, perda de áreas verdes e falta de diálogo. Prefeitura deve prestar informações técnicas ao MP

O Ministério Público de Goiás (MPGO) abriu um procedimento para investigar possíveis irregularidades no projeto de reurbanização do Setor Parque das Laranjeiras, em Goiânia. O plano prevê a criação de cerca de 190 vagas de estacionamento ao longo de um trecho de 400 metros da Avenida Flamboyant, o que gerou preocupação entre moradores.

A medida foi tomada pelo promotor de Justiça Juliano de Barros Araújo, da 15ª Promotoria de Justiça da capital, após o recebimento de várias reclamações e representações de moradores sobre intervenções em áreas verdes da região.

Segundo relatos enviados ao MP, moradores temem corte de árvores, redução de áreas verdes, eliminação de espaços de convivência e mudanças no paisagismo local. Eles afirmam que o projeto inclui vagas de estacionamento no formato “escama de peixe”, a transformação de áreas de lazer em estacionamentos e até a criação de uma Zona Especial de Interesse Gastronômico, o que, segundo eles, pode descaracterizar o perfil residencial do bairro.

Na semana passada, as discussões cresceram após manifestações e um abaixo-assinado eletrônico. Moradores também apontam riscos como impermeabilização do solo, impactos na mobilidade urbana e falta de diálogo prévio da prefeitura com a comunidade.

Na última quinta-feira (27), um grupo de moradores se reuniu com o promotor e pediu a intervenção do Ministério Público para evitar possíveis danos ambientais. Após ouvir os relatos, o MP decidiu abrir uma apuração preliminar antes de instaurar um Inquérito Civil.

O procedimento determina a análise de todas as denúncias já registradas e de reportagens sobre o caso. O MP também solicitou para Prefeitura de Goiânia informações detalhadas sobre o projeto, incluindo:

  • Cópia dos processos completos;
  • Estudos e aprovações técnicas;
  • Possíveis mudanças no uso das áreas públicas;
  • Previsão de início das obras.

Além disso, o Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU) foi acionado para emitir um parecer sobre eventuais alterações no projeto urbanístico original do bairro.

O MP aguarda respostas dos órgãos municipais para definir os próximos passos da investigação.

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