Veja a história: mulher diz que foi assediada por médico do INSS em Goiânia
Profissional teria levantado vestido dela durante o procedimento

A auxiliar administrativa Michelle Rodrigues Barbosa denunciou um médico perito do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) por assédio durante atendimento na terça-feira (7). O caso aconteceu em uma unidade de Goiânia. O profissional teria levantado o vestido da mulher durante um exame sem autorização ou explicação, o que ela considerou desnecessário para o procedimento.
Michelle informou ao Mais Goiás que procurou o portal para manifestar indignação e revolta, e para que nenhuma mulher precise passar pelo que ela passou. Segundo ela, era para ser uma perícia normal, apenas mostrar exames, mas o tratamento desde o começo foi ríspido.
“Ele fez perguntas que não tinham relação com a perícia e começou a olhar meus exames e laudos, confirmando que não tinha nenhuma doença, mas de forma muito arrogante e grosseira. Ele levantou rápido da cadeira, eu me assustei e levantei, e logo vi que ele estava atrás de mim. De uma vez, ele levantou o meu vestido, olhou meu bumbum, depois o vestido desceu e ele pediu para eu me curvar. Fiquei em choque na hora”, narrou.
Em choque, ela se deitou na maca a pedido do homem, sem saber o que estava acontecendo. Pouco depois, o perito pediu que Michelle se levantasse. “Ele mesmo levantou meu vestido de forma invasiva, sem autorização e sem explicação. Me atendeu rápido e pediu que eu saísse da sala.”
A auxiliar diz que saiu chorando da sala e foi à recepção, onde estava o acompanhante dela. Ela contou a ele e para a recepcionista e pediu para ligar para a Polícia Militar (PM). A informação que teve é que existiam outras denúncias no local, inclusive com outros profissionais.
No local, a Polícia Militar foi ao consultório e o profissional negou. Disse, ainda, que a paciente teria gravado, o que ela diz não ter ocorrido. As partes foram levadas à Delegacia de Polícia Civil.
Outro constrangimento
Ela afirma que, em seguida, foi ao Instituto Médico Legal (IML) para fazer o corpo de delito e precisou passar por um exame íntimo. Segundo Michelle, novamente se sentiu constrangida. Posteriormente, a auxiliar foi à Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) e ouviu que não precisa desse procedimento. “Então, foram dois constrangimentos no mesmo dia.”
O Mais Goiás procurou o IML para comentar o caso. Segundo o instituto, ela foi submetida a um exame de PSD (prática sexual delituosa) e a um exame de lesão corporal, e os laudos já estão liberados à disposição da autoridade policial. Inclusive, os exames foram solicitados pela autoridade policial, ou seja, a Polícia Civil.
O instituto informou, ainda, que a vítima tem sempre a prerrogativa de se negar a ser examinada (o que não aconteceu). Além disso, ela foi atendida em um espaço humanizado por uma médica mulher.
Boletim de ocorrência
A mulher registrou um boletim de ocorrência ao qual o Mais Goiás teve acesso. Conforme a denúncia, o profissional teria levantado vestido dela durante o procedimento, o que lhe causou constrangimento e sentimento de violação. A mulher foi até a unidade do INSS para realizar uma perícia médica com a finalidade de apresentar o laudo no seu local de trabalho, pois ficou 15 dias afastada devido a problemas de hérnias cervical e lombar.
Ela também disse que o profissional foi arrogante e mal-educado. A mulher alega que, em determinado momento, o médico olhou os laudos dos exames que a declarante fez anteriormente e disse que ela não tinha hérnia, pedindo a ela para se levantar e se levantando também. Nesse momento, ele teria subido o vestido dela e pedido para se curvar para ver sua coluna.
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Pouco depois, ele encerrou a consulta, negando à mulher um atestado, dizendo que era para solicitar na administração. Ela alega que deixou o consultório chorando. Ainda conforme relato, disseram a ela na recepção que atendimentos ruins eram recorrentes, inclusive contra os servidores.
Para ela, não era necessário levantar o vestido para examinar a coluna, o que a deixou constrangida. A auxiliar administrativa, então, acionou a Polícia Militar, que levou o médico para a delegacia para esclarecimentos. Segundo Michelle, que seguiu para o local, o profissional usou o celular para fotografá-la de dentro da viatura.
Aos policiais, o médico negou qualquer ato inadequado. Ele afirmou que o procedimento foi clinicamente necessário para avaliar a coluna da paciente e que pretende representar contra Michelle, alegando que ela teria arremessado uma garrafa d’água em sua direção e proferido ofensas ao ser conduzido até a viatura policial.
O portal não conseguiu contato com a defesa do médico, mas mantém o espaço aberto, caso haja interesse.