Mulher em surto usa carimbo médico falso e ocupa consultório em unidade de saúde de Aparecida
Constavam atendimentos e orientações no celular dela

Uma mulher que estaria em surto invadiu o Cais Nova Era, em Aparecida de Goiânia, e ocupou um consultório médico na tarde de terça-feira (7). Os servidores da unidade, que não a conheciam, acionaram a diretora do local e, em seguida, a Guarda Civil Municipal (GCM). Quando abordada, ela estava com um carimbo médico falso com o nome dela e o número de CRM de um clínico geral que atua no Cais Cândida de Morais.
Segundo a prefeitura de Aparecida, trata-se de uma paciente psiquiátrica com histórico de internações na UPA Flamboyant, incluindo uma ocorrência em 24 de março, quando foi levada pelo Corpo de Bombeiros ao hospital após tentar invadir o Comando de Operações Especiais (COE) do Exército em Goiânia.
“Considerando o quadro apresentado, a paciente foi encaminhada para a UPA Parque Flamboyant, unidade que dispõe de atendimento de urgência em psiquiatria. Após avaliação médica, houve encaminhamento para internação na Clínica PAX, na qual ela receberá o acompanhamento especializado necessário”, informou a Secretaria Municipal de Saúde sobre a apreensão de terça-feira.
Vale citar que os agentes encontraram o carimbo falso com a mulher durante a abordagem. O médico dono do CRM havia registrado o sumiço do carimbo dele no mês passado – o item da mulher era uma falsificação com o nome dela, mas o número dele.
Informado do caso, o médico acionou a delegacia virtual da Secretaria de Segurança Pública (SSP-GO) e detalhou uma situação ainda mais grave: o celular da mulher continha registros de orientações emitidas com uso indevido do seu CRM por meio do WhatsApp.
Atendimento e orientações
O Mais Goiás teve acesso ao boletim de ocorrência do caso. Segundo o profissional à polícia, quando o procuraram para relatar sobre o carimbo, também informaram que, quando analisaram o aparelho celular da abordada, foram identificados registros de orientações médicas e atendimentos realizados com uso indevido do registro, o que caracteriza possível prática de falsidade ideológica, exercício ilegal da medicina e estelionato.
Ele deixou claro, em depoimento, que a ocorrência visa resguardá-lo profissionalmente, além de reforçar que não houve autorização para o uso do carimbo. Além disso, ele reforçou que não conhece a mulher e nem reconhece qualquer atendimento, prescrição ou orientação feita por terceiros com o nome dele.
O médico também fez o comunicado ao Conselho Regional de Medicina de Goiás (Cremego). Ao Mais Goiás, ele disse que não conhecia a mulher e nem a tinha atendido. Dessa forma, ele não soube dizer se ela teve relação com o furto ou imaginar como teria tido acesso ao número do CRM dele.
“Não souberam me dizer se ela conseguiu entrar em outras unidades usando meu número. Também não sei o quanto ela conseguiu utilizar aquele carimbo falso.” Questionado se teve algum prejuízo, ele afirma que ainda não sabe se houve algum dano. “A situação me assustou. Viram orientações e consultas no WhatsApp dela.”
Invasão do COE
No fim de março, quando a mulher tentou invadir o Comando de Operações Especiais (COE) do Exército em Goiânia, ela apresentava falas desconexas. Na ocasião, ela disse aos médicos que havia ido ao local em busca de emprego.
O Serviço Móvel de Atendimento de Urgência (Samu), então, foi acionado para conduzir a paciente novamente à UPA Flamboyant para cuidados especializados.
Nota da Secretaria Municipal de Saúde:
“A Secretaria Municipal de Saúde de Aparecida de Goiânia informa que, na data de ontem, uma pessoa em aparente situação de transtorno de saúde mental acessou as dependências do CAIS Nova Era e entrou em um dos consultórios da unidade.
A situação foi prontamente identificada pela equipe assistencial e pela direção da unidade, que adotaram de imediato as medidas necessárias para garantir a segurança dos pacientes, acompanhantes e servidores.
A Guarda Civil Municipal foi acionada para prestar apoio na condução da ocorrência.
Considerando o quadro apresentado, a paciente foi encaminhada para a UPA Parque Flamboyant, unidade que dispõe de atendimento de urgência em psiquiatria. Após avaliação médica, houve encaminhamento para internação na Clinica PAX, na qual ela receberá o acompanhamento especializado necessário.
A Secretaria reforça que toda a assistência foi prestada com responsabilidade, acolhimento e respeito à dignidade da paciente.“