Ação conjunta

Operação da PF cumpre mandados em Goiás contra investigados por fraudes em licitações e desvios de emendas

Ação, que investiga esquema de fraudes em licitação e desvio de emendas, ocorre também em Pernambuco, Bahia, São Paulo e no Distrito Federal

Goiás está entre os estados alvos da Operação Vassalos, deflagrada na manhã desta quarta-feira (25/2) pela Polícia Federal (PF) para investigar um suposto esquema de fraudes em licitações e desvio de emendas parlamentares. Ao todo, 42 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF), estão em andamento. A ação ocorre também em Pernambuco, Bahia, São Paulo e no Distrito Federal.

A investigação apura a prática de crimes como frustração do caráter competitivo de licitações, quando há manipulação para impedir a livre concorrência entre empresas; fraude em contratos públicos; peculato, que é o desvio de dinheiro público por agente que tem acesso a ele em razão do cargo; corrupção; lavagem de dinheiro e organização criminosa.

SAIBA MAIS:

Segundo a PF, há indícios da existência de um grupo formado por agentes públicos e privados suspeitos de desviar recursos provenientes de emendas. O esquema funcionaria por meio do direcionamento de processos licitatórios para uma empresa ligada ao grupo investigado. Posteriormente, os valores recebidos seriam utilizados para o pagamento de vantagens indevidas e para ocultação de patrimônio.

Na mira

A ofensiva ocorre em meio a uma série de medidas adotadas pelo STF para reforçar o controle sobre a destinação de emendas parlamentares. Em janeiro, o ministro Flávio Dino proibiu o repasse de emendas a organizações não governamentais (ONGs) e outras entidades do terceiro setor que tenham, em seus quadros diretivos ou administrativos, familiares dos parlamentares responsáveis pela indicação dos recursos.

Relógios de luxo estão entre os materiais apreendidos nesta quarta-feira (Foto: Divulgação/PF)

A decisão também veta a destinação de verbas quando houver contratação direta ou indireta de parentes, incluindo cônjuges, companheiros e familiares até o terceiro grau, além de assessores parlamentares vinculados aos autores das emendas.

Ao justificar a medida, o ministro chamou atenção para indícios graves de mau uso de verbas públicas na transferência de recursos a entidades dessa natureza. Para ele, a prática pode representar uma forma de apropriação privada do orçamento público, em desacordo com os princípios de impessoalidade e transparência que devem orientar a administração.

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Auditorias realizadas pela Controladoria-Geral da União (CGU) também identificaram falhas, como incapacidade técnica de algumas ONGs para executar os projetos financiados e deficiência na prestação de contas.

Apesar de avanços recentes nas regras de controle, o relator da ação afirmou que ainda há necessidade de aperfeiçoar o modelo. “Não se revela compatível com o regime republicano que parlamentar possa destinar emendas a entidades vinculadas a familiares, direta ou indiretamente, transformando recursos públicos em moeda de afeto, conveniência ou lealdade pessoal”, ressaltou o ministro ao comentar o assunto.