SAÚDE

Pacientes renais com alta permanecem internados no Hmap a espera de vaga por hemodiálise

Município afirma a Central de Regulação acompanha os casos e fará o encaminhamento quando houver disponibilidade

Pacientes com insuficiência renal crônica permanecem internados no Hospital Municipal de Aparecida de Goiânia (Hmap), apesar de já terem indicação de alta. O motivo seria a ausência de vagas em clínicas conveniadas para realização de hemodiálise, conforme relatado por familiares ao Mais Goiás nesta quarta-feira (28). Eles dependem da Central de Regulação do município.

Um dos casos é de uma adolescente de 17 anos. Com rim único, a jovem aguarda há 44 dias a liberação para iniciar o tratamento ambulatorial de hemodiálise, solicitado formalmente em 15 de dezembro de 2025. “O hospital não libera enquanto não tiver uma vaga para hemodiálise”, afirma a diarista Rosane Ribeiro da Silva. “No total, são 52 dias que estamos lá. Minha filha é menor, não tem como a gente ir embora para casa.”

Segundo ela, o Hmap tem sido atencioso e a filha é bem assistida no local. Contudo, a situação já é desesperadora para a família. “Minha filha está cansada, ela já está tomando medicamento para dormir. É muito difícil, nós precisamos de uma posição da Secretaria de Saúde, pois a regulação fica na mão deles.” Rosane afirma que vai procurar o Ministério Público para tentar resolver o caso.

O autônomo Wederson Salomão de Jesus Gomes não trabalha há 17 dias, pois precisa ficar com a filha de 22 anos, que também está na fase de regulação. “Ela precisa fazer o tratamento três vezes por semana, então o Hmap não libera. O hospital faz a hemodiálise, mas apenas para quem está internado”, explica.

Segundo Wederson, a filha já não consegue mais comer a comida do hospital, devido à ansiedade. Ela está no último semestre de enfermagem e não sabe se vai conseguir fazer. “A hemodiálise é dolorosa, mas essa situação é uma tortura psicológica, pois não sabemos quando poderemos ir para casa.”

O autônomo tem revezado com a mãe da jovem a permanência no Hmap. Ele reforça que o tratamento da unidade de saúde é muito bom. Ainda conforme Wederson, uma médica revelou que mais de 20 pacientes estão nessa condição.

Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Aparecida de Goiânia disse que o município possui atualmente três clínicas de hemodiálise credenciadas ao SUS e que, desde a última semana, “instituiu uma equipe de auditoria que realiza visitas in loco às clínicas para verificar a possibilidade de ampliação da capacidade e da oferta de vagas”. Informou, ainda, que “aguarda a liberação de novas vagas pelas clínicas credenciadas, considerando que a fila de espera é dinâmica e depende da rotatividade e da disponibilidade técnica das unidades”.

E finaliza: “A Central de Regulação do município acompanha os casos e realizará o encaminhamento assim que houver disponibilidade de vagas.”

Nota da SMS de Aparecida de Goiânia:

“A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Aparecida de Goiânia informa que o município possui atualmente três clínicas de hemodiálise credenciadas ao SUS. 

Desde a semana passada, a SMS instituiu uma equipe de auditoria que realiza visitas in loco às clínicas para verificar a possibilidade de ampliação da capacidade e da oferta de vagas.

Aparecida de Goiânia é referência regional em Terapia Renal Substitutiva para mais de 25 municípios, o que gera alta demanda regulatória. 

No momento, a SMS aguarda a liberação de novas vagas pelas clínicas credenciadas, considerando que a fila de espera é dinâmica e depende da rotatividade e da disponibilidade técnica das unidades.

Enquanto aguardam encaminhamento, os pacientes internados no Hospital Municipal de Aparecida de Goiânia (Hmap) seguem assistidos e recebem tratamento dialítico na própria unidade, sem interrupção do cuidado. 

A Central de Regulação do município acompanha os casos e realizará o encaminhamento assim que houver disponibilidade de vagas.