PROCURADA EM 198 PAÍSES

Pai procura criança raptada pela mãe em Goiânia há nove anos: ‘acho que vendeu para alguém’

Juliana Pereira de Morais, atualmente com 11 anos, desapareceu em Goiânia. Criança consta na lista da Difusão Amarela da Interpol

Quando tinha um ano de idade, em 2017, Juliana Pereira de Morais foi sequestrada pela mãe biológica. Encontrá-la virou a missão de vida do pai, Vanderley Gomes de Morais. A criança faz parte dos sete goianos incluídos na Difusão Amarela da Interpol e que são procurados em 198 países. 

Juliana, que nasceu em Goiânia e que também possui nacionalidade paraguaia (herdada da mãe), foi vista pela última vez em 13 de abril daquele ano.

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O último registro da criança foi na cidade de San Ignácio de Loiola, no Paraguai, para onde a mãe supostamente teria fugido ao deixar a residência com que morava com a família, no Residencial Eli Forte, em Goiânia. A Interpol acredita que depois de raptada, Juliana tenha transitado entre a Argentina e o Paraguai. Não se tem notícia de nenhuma das duas desde então.

“Quando ela desapareceu, estava no trabalho. Cheguei em casa e não vi ninguém e, como estavam demorando a aparecer, fiquei preocupado. Na época, alguns vizinhos informaram que a minha filha entrou dentro de um carro com a mãe dela. Depois disso, nunca mais a vi”, conta o autônomo, pai de Juliana.

Vanderley Gomes de Morais, pai de Juliana – (Foto: arquivo pessoal)

Criança traficada 

O homem acredita que a filha tenha sido traficada pela ex-esposa, que supostamente foi aliciada por um grupo de mulheres. Antes de desaparecer, a então companheira de Vanderley havia recebido uma proposta de emprego nos Estados Unidos, de acordo com ele. 

O autônomo afirma ainda que mantinha um relacionamento harmonioso com a mãe de Juliana, mas que perdeu contato com a mulher depois do desaparecimento da criança. O caso é investigado pela Polícia Federal (PF), que convocou Vanderley pela última vez em 2024, a fim de renovar o cartaz de desaparecida da criança na Interpol. 

Neste mesmo ano, houve um caso de tráfico de pessoas registrado por dia no Brasil. O Ministério dos Direitos Humanos catalogou, de 1° de janeiro a 7 de abril de 2024, 98 violações relacionadas ao tráfico humano no país. No decorrer de 2023, o ministério contabilizou 336 violações. Foi o último levantamento sobre o assunto divulgado por órgãos ligados ao governo federal. 

“Eu acredito que não esteja na mão da mãe. Acho que ela desfez da criança, que vendeu para alguém da Argentina. Estou de mãos atadas, enquanto espero ajuda do poder público nos últimos 10 anos”, reforçou. 

Juliana meses antes de ser raptada pela mãe – (Foto: reprodução/Interpol)

Esperança 

Vanderley ainda guarda as páginas impressas do boletim de ocorrência feito ainda em 2017 na Polícia Civil de Goiás (PC), assim como as vias da Polícia Federal, que assumiu o caso depois da comprovação de que Juliana estava no exterior. O caso ainda segue em andamento, mas estagnou devido a ação do tempo, conforme o pai. 

O autônomo afirma acreditar que Juliana esteja bem e que foi acolhida por alguma família, mas que ainda não perdeu as esperanças de reencontrar a filha. Segundo ele, nunca parou de pensar na garota desde que ela sumiu.

“Acredito que eu vou recuperá-la de volta, vou trazer ela de volta para casa. Nunca perdi a esperança. Acredita que até ela mesma possa me procurar algum dia”, reforça. 

Juliana Pereira de Morais, atualmente com 11 anos – (Foto: reprodução/Interpol)

Outros goianos desaparecidos 

Assim como Juliana, outros seis goianos constam na lista pública da Difusão Amarela da Interpol. São eles:

  • Marcelo Gomes de Souza Ramos: natural de Anápolis, o desaparecimento do homem foi registrado em 21/11/2012, quando ele tinha 30 anos. Atualmente com 44 anos, a Interpol acredita que ele possa ter passado pelo México, Estados Unidos ou Guatemala. Marcelo, que é fluente em inglês, também não consta no banco de dados da PC;
  • Denis Carlos Mendonça: natural de Uruaçu, Denis desapareceu no dia 29/03 de 2023, na França, aos 34 anos. Atualmente com 48 anos, o paradeiro dele é indefinido. A Polícia Civil não tem registro no banco de dados da corporação;
  • Juliana Pereira de Morais: natural de Goiânia, a criança de nacionalidade brasileira e paraguaia, desapareceu quando tinha apenas 1 ano de idade em 13/04/2017, em San Ignacio de Loyola, no Paraguai. Hoje, com 10 anos, a polícia acredita que ela possa ter passado pela Argentina e pelo próprio Paraguai depois de ser sequestrada. A Polícia Civil não tem registro dela em Goiás;
  • Luciano Tadeu Rodrigues Junior: natural de Goiânia, o jovem de 32 anos desapareceu em 14/07/2022, aos 28 anos, em Goiânia. A Interpol acredita que ele possa ter passado pela Venezuela e pelo México. Apuração do Mais Goiás aponta que ele atuava como mula do tráfico, tendo desaparecido durante uma viagem exercendo essa função na fronteira da Venezuela com o México;
  • Maycon Eder Alves de Jesus: natural de Goiânia, o homem desapareceu aos 23 anos no dia 03/08 de 2017. Atualmente com 32 anos, o jovem tentou entrar de forma ilegal nos Estados Unidos com a ajuda de coiotes, mas acabou desaparecendo na fronteira com o México. A Interpol acredita que ele passou pelos Estados Unidos, Bahamas e/ou República Dominicana;
  • Rosana Ferrari Pandim: natural de São Paulo, a mulher desapareceu aos 11 anos de idade, em Goiânia. A data do desaparecimento, segundo a Interpol, foi em 23/11/1973. Atualmente, ela está com 64 anos de idade. O possível país onde Rosane possa estar não consta na lista. A Polícia Civil de Goiás não tem registro da mulher no banco de dados da corporação.
Da esquerda para direita: Letícia Oliveira Alves (encontrada), Luciano Tadeu Rodrigues Junior, Maycon Eder Alves de Jesus, Juliana Pereira de Morais, Denis Carlos Mendonça, Marcelo Gomes de Souza Ramos, Rosana Ferrari Pandim e Mayra da Silva Paula | Foto: Divulgação/Interpol