FICARAM TRANQUILOS

Resgate em Paraúna: dupla fica 8 horas presa em caverna com 28 m de profundidade

Dupla fazia trilha com outros dois amigos na Serra da Portaria, quando resolveu descer pela formação rochosa e não conseguiu voltar

Dois moradores de Anicuns ficaram presos em uma caverna, em Paraúna, por cerca de 8 horas, e precisaram de resgate. O médico veterinário Victor Hugo Bispo e o geólogo Vinicius Luiz faziam um passeio turístico no domingo (12) com outros dois amigos pela Serra da Portaria, quando viram a gruta e resolveram descer.

Os dois utilizaram técnicas de rapel para explorar a formação rochosa, mas tiveram problemas para voltar à superfície. A dupla descreveu a situação por meio de vídeos, enquanto aguardava o resgate. Victor Hugo informou que o equipamento de subida apresentou falha técnica, o que inviabilizou a escalada pelo mesmo caminho da descida.

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Segundo ele, a topografia agravava o quadro. Ele citou que havia uma fenda interno estimada em mais de 300 metros, o que impedia o uso daquela rota alternativa. “Quando fomos subir de volta, nosso equipamento de subida danificou. Tentamos de toda forma subir, mas sem sucesso”, relatou.

Eles, inclusive, se alimentaram dentro da caverna. Foi o pai de Victor Hugo, que estava nas proximidades, que percebeu a demora e foi atrás dos dois. Sem sucesso em ajudá-los por conta própria, ele acionou o Corpo de Bombeiros em Palmeiras de Goiás e também um guia, que chegou primeiro. O resgate ocorreu perto das 19h. Eles conseguiram sair pela base, com auxílio do socorrista do parque, que deu as coordenadas.

“Eu e o Vinícius estávamos tranquilos, mas preocupados com a hora. Nós tínhamos comida e água, então poderíamos esperar”, relatou ao Mais Goiás. Questionado se eles têm o costume de fazer o rapel, Victor afirmou que foi a primeira vez que usaram o equipamento.

Segundo ele, foi possível conversar “potoca” enquanto esperava o socorro. Sobre a próxima aventura, ele afirma que irão para o Parque Serra Dourada, em Mossâmedes. “Mas dessa vez vamos com um guia”, brincou.

“Ficar 40 minutos”

Vinícius contou ao Mais Goiás que o plano deles “era ficar ali uns 40 minutos e ir para outros pontos turísticos da cidade. Eu sou geólogo e tenho um canal de divulgação científica da minha área de trabalho. Então, a gente planejava ir a alguns pontos e gravar os processos geológicos da área, a geologia regional de Paraúna”.

Segundo o geólogo, a descida foi muito tranquila, sem complicações. “Desci e vi a beleza de como é ver a Serra da Portaria por dentro. Cavernas nos dão uma terceira dimensão de como foram os processos geológicos, melhor do que um corte na rocha. A descida do Victor foi tranquila também. Mas na hora de subir a gente notou que a corda não ‘deslizava’ pelo freio”, afirma.

Ele afirma que eles pensaram em algumas estratégias, como subir escalando pela corda e pedir para os companheiros de cima puxá-los. “Porém, nada deu certo.” Ele também destacou que havia uma saída por uma fenda na rocha, mas tinha um despenhadeiro logo a seguir. “Optamos por ficar dentro da caverna e falar para os outros pedirem socorro pelos bombeiros.”

“Como tínhamos comida e água, é um local ‘seguro’ para passar a noite se fosse preciso, ficamos tranquilos. O tempo passou e a gente conversou bastante, mas os nossos companheiros não voltavam, então começamos a ficar preocupados. Decidimos descer e ficar em algum lugar seguro na boca da fenda pra ver se dava pra ver a sede da fazenda. Quando vimos que o nosso carro não estava lá, ficamos calmos, era só questão de tempo para eles voltarem”, completou.

Sobre o resgate, ele conta que, após ser informado da opção de saída pela base, eles decidiram descer a encosta pelas porções do talude. “A ‘trilha’ por ali era difícil, vegetação fechada e cheia de espinhos, mas não havia opção a não ser seguir em frente. A parte mais difícil era descer uma parede de pedras íngrime por uns 4/5 metros de corda, com alguma parte sendo praticamente vertical.”

O Mais Goiás procurou o Corpo de Bombeiros Militar de Goiás (CBMGO), que confirmou a ocorrência. Contudo, relatou que, quando chegaram ao local, os trilheiros tinham deixado a caverna com auxílio de terceiros.