‘Resposta à sociedade’: chefe de facção é preso em São Paulo por ameaçar delegado de Goiás
Humberto Teófilo afirma que prisão representa reação da polícia contra o crime organizado

A Polícia Civil de Goiás (PCGO), em conjunto com a corporação em São Paulo (PCSP), prendeu Rivonaldo de Moura Xavier, um dos líderes da facção criminosa PCC, na quinta-feira (9). Detido em Votorantim (SP), ele era investigado por ameaçar o delegado Humberto Teófilo quando ele atuava no município de Aparecida de Goiânia. “Resposta à sociedade”, afirmou o policial.
Em nota, o delegado informou que a ação que resultou na prisão “decorre de ameaças concretas relacionadas à minha atuação no combate ao crime organizado quando delegado em Aparecida de Goiânia, fato que inclusive motivou minha remoção da atividade operacional”. Além de Rivonaldo, também foram cumpridos quatro mandados de busca e apreensão em Aparecida de Goiânia contra investigados supostamente ligados ao crime organizado – entre eles um ex-vereador.
Rivonaldo passou por audiência de custódia e foi mantido preso. Ele também responde por tráfico de drogas e associação criminosa.
Ao Mais Goiás, Humberto Teófilo confirmou ser esse o suspeito que o ameaçou. “Esse que estava me ameaçando, o principal líder do PCC que atuava em Aparecida e estava em São Paulo”, declarou. Segundo ele, a prisão de Rivonaldo representa uma reação da polícia contra o crime organizado, principalmente por ameaças direcionadas à autoridade policial.
“Isso é uma resposta para a sociedade. A Polícia Civil de Goiás, em conjunto com a Polícia Civil de São Paulo, está dando uma primeira resposta. Sabemos que é uma primeira fase, mas não tenho dúvidas de que serão mais desdobramentos”, afirmou.
O portal não conseguiu contato com a defesa do acusado. O espaço segue aberto, caso haja interesse.
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Ameaça e transferência de Humberto Teófilo
O delegado Humberto Teófilo confirmou nas redes sociais, em meados de março, sua remoção da Central de Flagrantes de Aparecida de Goiânia para atuar em funções administrativas. Ele havia sido transferido da mesma delegacia de Goiânia para o local em novembro passado. O policial irá atuar em funções administrativas na Secretaria de Segurança Pública.
Na ocasião, ele informou em vídeo que a transferência aconteceu após combater por meses o tráfico de drogas e facções criminosas, inclusive, com mais de 70 prisões de faccionados, além de outras operações. “Esse enfrentamento enérgico me trouxe consequências. Passei a ser alvo de ameaças do crime organizado. Diante desse cenário, a Diretoria-Geral entendeu pela remoção da minha delegacia e da minha lotação em uma área administrativa, sem qualquer função operacional.”
Um mês antes da transferência, em fevereiro, Teófilo revelou ter recebido informações sobre a determinação de sua execução, após intensificar operações contra o tráfico no município. Ele comentou o caso em publicação e em live no Instagram.
“A luta contra o crime organizado tem consequências. Hoje recebi informações graves envolvendo ameaça atribuída a liderança do PCC após as últimas operações realizadas em Aparecida de Goiânia.” Na ocasião, ele declarou que todas as medidas institucionais foram adotadas junto à Segurança Pública. “Seguiremos firmes na defesa do cidadão de bem. Que Deus nos abençoe e nos proteja”, disse.
Questionada sobre a mudança, a PCGO disse, em nota, que as movimentações funcionais de seus policiais ocorrem conforme critérios de conveniência e oportunidade da Direção-Geral, observando as necessidades do serviço público e a adequada gestão de pessoal da Instituição. “Eventuais alterações de lotação ou designações para funções administrativas ou operacionais integram a dinâmica de organização interna do órgão, não sendo medidas excepcionais, mas instrumentos legítimos de gestão institucional”, detalhou.