“Roblox não é só um jogo”, delegada de Goiás alerta para aliciamento de menores; saiba como proteger crianças
Titular da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente elenca cuidados que podem ajudar a blindar menores que usam a plataforma

O jogo Roblox, amplamente acessado por crianças e adolescentes, tem sido motivo de preocupação para autoridades de segurança pública. O aumento das investidas de criminosos contra menores levou a delegada titular da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) da Polícia Civil de Goiás (PCGO), Aline Lopes, a chamar atenção dos pais sobre os perigos escondidos na plataforma. Ela destaca alguns pontos a serem observados em casa, bem como medidas consideradas essenciais para proteção dos filhos no ambiente virtual.
A delegada explica que o Roblox não é apenas um jogo, mas uma plataforma que permite que qualquer pessoa crie jogos, jogue e converse com outros usuários. “Os criminosos sabem que ali existem milhões de crianças desassistidas, disponíveis e facilmente acessíveis”, afirmou. Um dos principais problemas, de acordo com Lopes, é o sistema de chat, que possibilita conversas privadas entre adultos e crianças sem que terceiros tenham acesso ao conteúdo.
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Ela ressalta ainda que muitos jogos disponíveis na plataforma simulam situações adultas e expõem menores a discursos de ódio, homofobia, misoginia e, principalmente, a conteúdos de cunho sexual inadequados para a faixa etária. “Esse ambiente é utilizado por pedófilos e outros criminosos para se aproximar das crianças”, alerta.;
O que fazer
Diante desse cenário de vulnerabilidade é imprescindível, segundo a delegada, que os pais adotem medidas de segurança dentro da plataforma. Entre elas estão a desativação do chat, das mensagens privadas e da opção que permite adicionar a criança a servidores VIP, uma ferramenta semelhante à lista de “melhores amigos” das principais redes sociais. “Essas configurações impedem que estranhos entrem em contato direto com a criança”, explica.
Outra recomendação importante é o uso do controle parental, com ativação do PIN de restrição. Trata-se de uma uma senha que impede que a própria criança altere as configurações de segurança definidas pelos responsáveis. Além disso, Aline defende a chamada “supervisão ativa”. “Os pais devem jogar junto, entender o jogo, saber quem são os amigos da criança dentro da plataforma e observar qualquer mudança de comportamento.”

O local onde a criança acessa a internet também merece atenção. Lopes orienta que celulares e computadores não sejam utilizados em quartos trancados ou longe da convivência familiar. “O ideal é que esses dispositivos estejam em locais comuns da casa, onde seja possível ver e ouvir o que a criança está fazendo”, afirmou.
“Nenhuma medida é eficaz sem diálogo”
Apesar das ferramentas de controle, a delegada destaca que nenhuma medida é eficaz sem diálogo. “É fundamental conversar com os filhos e explicar que o Roblox está inundado de criminosos e que adultos podem facilmente se passar por crianças”, reforça. A orientação é clara: nunca enviar fotos, vídeos, dados pessoais ou marcar encontros presenciais. Caso algo suspeito aconteça, a criança deve procurar imediatamente um adulto de confiança.
A delegada também chama atenção para sinais de alerta, como o excesso de tempo online, o isolamento durante os jogos, a tentativa de esconder a tela do celular ou relatos sobre presentes e amigos desconhecidos pela família. “Esses comportamentos podem indicar que algo errado está acontecendo”, explica.
Suspeita de crime
Em casos de suspeita ou confirmação de crime, a delegada orienta que os pais não se desesperem e, principalmente, não apaguem provas. “Não excluam o perfil da criança, não apaguem mensagens. Façam capturas de tela, gravem vídeos e procurem imediatamente a Polícia Civil. Só assim conseguimos identificar e prender esses criminosos e evitar que outras crianças sejam vítimas”, afirmoa.
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Melhorias recentes
A delegada destaca ainda mudanças recentes na plataforma, motivadas por pressão internacional. Atualmente, menores de 13 anos não podem enviar mensagens diretas privadas. No entanto, o chat durante os jogos continua ativo, ainda que com algumas restrições. “Esses chats continuam sendo usados por criminosos, que se comunicam por códigos e depois migram para outras plataformas, como Discord e Telegram, onde o contato é totalmente livre”, alerta.

“Precisamos nos preocupar não apenas para que nossos filhos não sejam vítimas, mas também para que não se tornem abusadores no futuro”, destaca. Segundo ela, há casos, inclusive crescentes, de jovens que, após anos de exposição precoce a conteúdos violentos, sexuais e de ódio, acabam reproduzindo esse comportamento ao atingir a maioridade.
Apoio aos responsáveis
Pensando em coibir as ações que podem afetar os usuários do jogo, a plataforma disponibiliza uma página dedicada exclusivamente ao acesso a informações e ferramentas de segurança. Nela, a plataforma detalha os métodos que as famílias podem usar para manter os usuários mais protegidos.
As regras da comunidade também elencam como os usuários devem se comportar. “Elas exigem que todos tratem uns aos outros com civilidade e respeito e proíbem conteúdos e comportamentos que possam ser inadequados ou prejudiciais. Nós as atualizamos à medida que as necessidades da nossa comunidade e da nossa plataforma evoluem”, diz um trecho do documento.
Felca se torna alvo
Uma onda de manifestações tomou conta da plataforma e das redes sociais nas últimas semanas. A polêmica começou depois de uma atualização implementada pela plataforma no dia 7 de janeiro, que passou a restringir o acesso ao chat.
A partir da mudança, jogadores precisam verificar a idade e só podem conversar com usuários da mesma faixa etária. Segundo a empresa, a decisão busca aumentar a segurança de crianças e adolescentes, que representam cerca de um terço dos 151 milhões de usuários diários da plataforma.

De acordo com o Roblox, a medida foi pensada para reduzir riscos envolvendo menores de idade, como situações de assédio, bullying e outros abusos que violam os termos de uso do serviço.
Apesar de não ter ligação direta com a atualização, o influenciador digital conhecido como Felca acabou se tornando alvo dos ataques por parte de usuários da comunidade. Felca é conhecido como um símbolo da luta por segurança infantil nas redes.
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“Condenamos as ameaças feitas contra qualquer pessoa online e incentivamos nossa comunidade a tratar todos com respeito”, afirmou a plataforma Roblox, lembrando que suas Regras da Comunidade proíbem conteúdos que ameacem outros usuários, incluindo incitação à violência no ambiente digital.