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Saiba como agia suspeito de violentar criança de 5 anos e armazenar conteúdo íntimo de menores, em Anápolis

Após ser submetida a atendimento psicológico, criança de cinco anos relatou abusos sofridos por homem de 28 anos

Um homem, identificado como Rangel Gonçalves Magalhães, de 28 anos, foi preso na noite do último domingo (1/2), em Anápolis, por suspeita de violentar uma criança de cinco anos e por armazenar conteúdo íntimo de menores no celular dele.

A operação, conduzida pela Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), foi desencadeada por uma denúncia anônima que apontava abusos sexuais contra a criança. O crime foi cometido por um amigo da mãe da criança que, segundo as investigações, tinha o hábito de ficar com a menina de maneira recorrente, já que era responsável por vigiá-la enquanto a mãe trabalhava.

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Em entrevista exclusiva ao Mais Goiás, a delegada Aline Lopes, responsável pelo caso, explicou que o primeiro passo da equipe foi tentar contato com a família. “Chamamos a mãe dessa criança para conversar. Ela não acreditava que o homem era capaz de fazer isso porque ele era amigo dela. Ela, inclusive, deixava a criança rotineiramente com o suspeito enquanto saía para trabalhar. A criança ficava na casa dele, sob sua responsabilidade.”

“Cheguei a chamar a mãe na delegacia para que a criança pudesse passar por uma atendimento psicológico, mas ela não a levou. Mais tarde, a criança chegou à delegacia, porém, acompanhada do próprio suspeito. Isso chamou muito a atenção da equipe. Ao passar por atendimento psicológico, a menina confirmou todos os abusos que sofria”, narrou. 

Celular apreendido

A delegada lembrou que a Justiça concedeu, inicialmente, apenas um mandado de busca e apreensão na residência de Magalhães. Durante a execução do mandado, um aparelho celular foi apreendido e analisado. “No celular dele encontramos a prova do abuso sexual contra contra essa criança, tudo foi registrado por ele. Além disso, encontramos outras imagens pornográficas envolvendo outras crianças”, explicou a delegada. 

Segundo delegada, suspeito registrou os abusos no próprio celular e depois tentou apagá-los (Foto: Reprodução)

De olho na polícia

Além dos materiais pornográficos, a análise do dispositivo também revelou que o suspeito monitorava as ações da polícia. “Encontramos no celular dele vídeos meus falando das prisões da delegacia. Ou seja, ele vinha acompanhando tudo. Tinha também muita pesquisa sobre investigações contra crimes de pedofilia, o que sugere que ele tentava entender como a polícia investigava esses crimes”, acrescentou. 

“Amigo das crianças”

Em paralelo às provas encontradas, as investigações apontaram um padrão de comportamento do suspeito nos diferentes ambientes que frequentava. “Descobrimos que ele costumava mudar de igreja com frequência. Conseguimos testemunhas em uma dessas igrejas. Uma delas relatou que o suspeito sempre estava próximo das crianças. Segundo ela, ele se oferecia para vigiar e levá-las ao banheiro”. 

A delegada detalhou que em determinada situação uma testemunha observou o homem com uma criança no colo e pênis ereto. Isso, segundo ela, gerou revolta em toda igreja. Depois do episódio, o homem procurou outro lugar para frequentar.  

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Preso na igreja

Diante das evidências encontradas e do risco de novos crimes, a Polícia Civil representou novamente pela prisão preventiva, que foi deferida pela Justiça. Magalhães foi preso durante um culto em uma igreja no Bairro São José, em Anápolis. Ele pode responder pelos crimes de estupro dee vulnerável e armazenamento de pornografia infantil, cujas penas máximas, somadas, podem chegar a 19 anos de reclusão.

Suspeito surpreso 

Durante o interrogatório, o suspeito demonstrou surpresa com a recuperação de dados apagados do celular. “Ele se mostrou incrédulo quando mostramos que conseguimos recuperar tudo o que ele tentou apagar. Num primeiro momento ele negou, depois ele tentou justificar e por fim ele disse que tem um laudo psiquiátrico”, revelou a delegada.

A divulgação da imagem de Rangel Gonçalves Magalhães foi autorizada pela autoridade policial, com o objetivo de identificar possíveis outras vítimas, dado o padrão de conduta revelado pelas investigações.