Desafio na Gestão

Supermercado ainda é o vilão do orçamento em Goiás; saiba quanto a população gasta por mês

Mesmo sendo a prioridade de 31% dos brasileiros, o supermercado é considerado o item mais difícil de manter em dia por 23% dos consumidores

Encher o carrinho continua sendo o maior desafio financeiro para as famílias em Goiás. Com um gasto médio mensal de R$ 890 em compras de supermercado, o setor é apontado como a principal prioridade de pagamento, e, simultaneamente, o item mais difícil de manter em dia. Esse dado, extraído do levantamento da Serasa em parceria com o Opinion Box, reflete o impacto direto da inflação no prato do trabalhador, que vê o poder de compra ser corroído antes mesmo de chegar ao caixa.

Embora o índice geral de Alimentos e Bebidas tenha mostrado uma estabilidade aparente no final de 2025 (alta de apenas 0,03% em novembro), os bastidores dos preços revelam uma pressão seletiva. A inflação da cesta básica em Goiás é alimentada por itens de alto valor agregado, como as proteínas animais.

As carnes bovinas, elemento central da cultura gastronômica local, lideraram as altas recentes. O contrafilé subiu 2,12% e o acém registrou alta de 1,73% em apenas um mês, segundo o Instituto Mauro Borges (IMB). Essa subida nas carnes compensa negativamente as quedas em outros setores, mantendo o ticket médio do supermercado elevado e forçando o consumidor a realizar substituições constantes.

Leia mais

🛒 Termômetro da Gôndola: Variação de Preços em Goiás

🥩 Contrafilé +2,12%
☕ Café em Pó +1,15%
🥛 Leite Longa Vida +0,12%
🥔 Batata Inglesa -1,55%
Feijão Carioca -3,59%
🍚 Arroz -4,22%
🍅 Tomate -11,81%
● Alta ● Estável ● Queda

Fonte: Instituto Mauro Borges (IMB/IBGE) – Nov/2025.

Entre quedas e altas

Nem todos os produtos seguiram a tendência de alta. Para equilibrar o orçamento de R$ 890, o goiano encontrou alívio em itens fundamentais da agricultura. O tomate registrou uma queda expressiva de 11,81%, enquanto o arroz recuou 4,22% e o feijão carioca teve baixa de 3,59%.

Apesar desses recuos pontuais, a percepção de custo de vida elevado persiste. Isso ocorre porque o grupo de Alimentação em Domicílio é sensível a fatores climáticos e logísticos, o que gera uma incerteza constante. Itens como óleos e gorduras apresentaram uma variação mínima (-0,08%), sinalizando uma estabilização após longos períodos de alta, mas ainda em patamares de preço considerados desconfortáveis pelo consumidor.

Desafios do Consumo (Média Brasil)

Prioridade de Pagamento (Supermercado): 31%

Dificuldade de manter em dia: 23%

Fonte: Pesquisa Serasa / Opinion Box (Jan/2026)

Comportamento e insegurança alimentar

A pesquisa da Serasa detalha que o gasto com alimentação fora de casa em Goiás gira em torno de R$ 220 mensais, um valor que vem sendo reduzido a medida que as famílias priorizam a comida feita no lar para economizar. Essa mudança de hábito é uma resposta direta à insegurança financeira: apenas 19% dos moradores do Centro-Oeste consideram fácil gerenciar os pagamentos atuais.

Como as despesas essenciais (supermercado, moradia e luz) consomem a maior parte da renda, o supermercado acaba sendo a “variável de ajuste”. Quando a conta de luz sobe — como ocorreu com a alta de 30% na energia em 2025 — o consumidor tende a cortar itens supérfluos do carrinho, focando apenas no básico para garantir que o orçamento de R$ 890 não seja ultrapassado.

A pesquisa foi feita pelo Opinion Box para a Serasa, entre 22 de dezembro de 2025 e 6 de janeiro de 2026, com 6.063 entrevistados. A margem de erro é de 1,2 ponto percentual.

Leia também