SAÚDE

Tecnologia ativada pela luz que elimina larvas do mosquito da dengue começa a ser testada em Anápolis

Tecnologia usa substância natural para agir nos criadouros e entra em fase prática em bairros com maior número de casos da doença

Uma nova tecnologia que usa a luz para matar larvas do mosquito da dengue começou a ser testada em Anápolis, na região Central de Goiás. A novidade funciona por meio de uma cápsula feita com curcumina, substância extraída do açafrão-da-terra, aplicada diretamente em locais com água parada. A larva do Aedes aegypti ingere o composto e, quando exposta à luz, sofre uma reação interna que provoca sua morte antes de se transformar em mosquito transmissor da dengue, zika, chikungunya e febre amarela.

A aplicação marca a terceira fase da pesquisa, quando o produto passa a ser testado fora do laboratório, em ambientes reais. O primeiro bairro escolhido foi o Jardim Esperança, apontado pela Secretaria Municipal de Saúde como o mais afetado pela dengue em Anápolis, seguido pela região da Vila Jaiara.

Em 2025, Anápolis registrou 55 casos confirmados de dengue e três mortes. Em todo o estado de Goiás, foram contabilizados 70.491 casos da doença, com 106 óbitos confirmados e outras 46 mortes ainda sob investigação.

A cápsula atua diretamente nos criadouros do mosquito, como baldes, caixas d’água e recipientes esquecidos nos quintais. Após ser colocada na água, ela libera um composto que atrai a larva. Como o corpo do inseto nessa fase é transparente, a luz atravessa o organismo e ativa a substância ingerida, causando um processo de oxidação que elimina a larva.

10 anos de pesquisa

A pesquisa vem sendo desenvolvida há mais de dez anos pela Universidade Evangélica de Goiás (UniEVANGÉLICA) e a Universidade de São Paulo (USP) e agora entra em uma etapa decisiva, que vai avaliar a eficácia do produto em larga escala, possíveis impactos ambientais e a viabilidade de uso pelo poder público. O objetivo é impedir que o mosquito chegue à fase adulta, quando passa a transmitir dengue, zika, chikungunya e febre amarela.

Caso a tecnologia seja aprovada pelos órgãos reguladores, como a Anvisa, ela poderá ser produzida em maior escala e incorporada às ações de combate à dengue em municípios de todo o país.

Apesar da inovação, autoridades de saúde reforçam que o combate ao Aedes aegypti depende também da população. Medidas simples, como eliminar água parada e manter quintais limpos, continuam sendo fundamentais para reduzir os focos do mosquito e os riscos à saúde.

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