Violência doméstica: Goiás teve mais de 26 mil medidas protetivas concedidas em 2025
Em todo o país, é majoritária a percepção de que a violência doméstica aumentou nos últimos anos

O combate à violência doméstica segue entre os principais desafios da segurança pública brasileira. Em Goiás, a realidade não é diferente. Ao longo de 2025, mais de 26 mil medidas protetivas precisaram ser expedidas em todo o território goiano, o que expõe o problema enfrentado por mulheres vítimas de agressões e ameaças no ambiente familiar.
Além do alto número de medidas judiciais, o estado também registrou 60 feminicídios no mesmo período. O índice representa aumento em relação a 2024 de 7,14%, quando foram contabilizados 56 casos desse tipo de crime.
Nesse contexto, a violência contra a mulher permanece um problema tão perceptível quanto silencioso. Dados da 10ª edição da Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher, realizada pelo Instituto DataSenado, revelam, por exemplo, que 30% das mulheres goianas afirmam já ter sofrido algum tipo de violência doméstica ou familiar provocada por um homem.
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O levantamento também mostra que, em todo o país, é majoritária a percepção de que a violência doméstica aumentou nos últimos anos. Entre as mulheres de Goiás, essa percepção é ainda mais forte: 80% das entrevistadas acreditam que os casos cresceram nos últimos anos.
Entre os tipos de agressão relatados, a violência psicológica aparece como a mais frequente, citada por 86% das mulheres que afirmaram ter sido vítimas de violência doméstica ou familiar no estado. Em seguida aparecem a violência moral, mencionada por 81% das entrevistadas, e a violência física, apontada por 76%.
Reação
Em resposta a esse cenário, bem como em alusão ao Dia Internacional da Mulher, celebrado no último domingo (8/3), a gestão estadual deu início a três ações voltadas ao enfrentamento da violência. São elas: a Operação Marias, o Projeto Laço Seguro e a criação de uma ferramenta estadual de monitoramento da violência doméstica, que deverá reunir e analisar dados sobre vítimas e agressores. A proposta é ampliar o controle sobre os casos registrados e também identificar situações que ainda não chegam ao conhecimento das autoridades.
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Em paralelo, o Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJGO) também anunciou que foi firmado um termo de cooperação com a Polícia Militar de Goiás (PMGO) na tentativa de combater os indicadores de violência no estado. Durante a solenidade que oficializou o acordo, também foram doadas 20 pistolas de calibre 9 mm para a segurança pública. O armamento, proveniente de processos judiciais, será destinado ao Serviço Estadual de Proteção ao Depoente Especial (Sepde).
O acordo estabelece atuação conjunta para a fiscalização e o acompanhamento das medidas protetivas concedidas às mulheres. A iniciativa prevê o compartilhamento de informações por meio do sistema Projudi, envio de relatórios periódicos e atuação direta dos Batalhões Maria da Penha na fiscalização das decisões judiciais.
Operações
De volta, porém, as novas ações anunciadas pelo Executivo goiano, dentre elas está a Operação Marias. A força-tarefa é coordenada pela Polícia Civil de Goiás (PCGO), voltada ao cumprimento de mandados de prisão e de busca e apreensão contra investigados por violência doméstica e crimes sexuais. A operação também prevê acompanhamento das medidas protetivas e ações de conscientização.
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Já o Projeto Laço Seguro, desenvolvido pela Escola Superior da Polícia Civil, deve promover palestras e atividades educativas sobre prevenção à violência doméstica em diferentes municípios do estado.
Outra iniciativa prevista é a Ferramenta Estadual de Monitoramento da Violência Doméstica, que vai reunir dados sobre ocorrências, vítimas e agressores. A ideia é identificar padrões e áreas de maior risco, chamadas de manchas criminais. A expectativa é que o sistema contribua para orientar políticas públicas e fortalecer as estratégias de enfrentamento à violência contra a mulher em Goiás.