Cinco compradores de gado já foram vítimas de golpe de líder de grupo religioso

A corretora de imóveis Meire deve se apresentar à polícia nesta segunda-feira (29), caso contrário a PC vai pedir que a Justiça transforme a prisão temporária dela em preventiva e Interpol deve cumprir o mandato

O líder de uma célula de uma igreja evangélica, Helder Divino Araújo Ferreira, de 45 anos, foi preso pela Polícia Civil (PC) suspeito de chefiar uma quadrilha. Até agora, cinco vítimas já procuraram a polícia, mas há suspeita de que outras também caíram no golpe. Somados, os valores alcançam um prejuízo superior a R$ 1,5 milhão aos compradores de gado de Goiás.

Segundo as investigações, conduzidas pelo 4º Distrito Policial de Goiânia, Helder ganhava a confiança de fiéis da igreja evangélica. Ele identificava as pessoas que tinham altas rendas e se oferecia para intermediar a compra de gado. Em seguida, ele indicava a corretora de imóveis Meire Monteiro, de 37 anos, que se passava por viúva de um próspero criador de gados paulista.  Eles chegavam a enviar, para as vítimas, vídeos de alguns bois sendo marcados com as iniciais deles.

A justiça também decretou a prisão da mulher. Hoje ela estaria na Inglaterra. Um terceiro envolvido, que ainda não foi identificado, também faria parte do esquema. O delegado Carlos Caetano disse que a corretora deve se apresentar à polícia até o final da tarde desta segunda-feira (29). Caso contrário, a PC vai pedir que a Justiça transforme a prisão temporária dela em preventiva. Assim, o mandato será repassado para que a Interpol possa localizá-la.

“Apesar da aparência de ser uma boa pessoa, o Helder Divino já é investigado desde 2004, e responde a nada menos que seis inquéritos, todos por estelionato. Desta vez, ele se passava por veterinário, dizia ser representante dessa suposta viúva, e também contava com a ajuda de um terceiro criminoso, ainda não identificado, que se passada como gerente das fazendas da Meire”, relatou o delegado Carlos Caetano.

O dinheiro adquirido com os golpes, ainda de acordo com o delegado, foi usado para a compra de veículos e imóveis. Além de investigar a viagem de Meire ao exterior. Depois de saber que Helder foi preso e que ela teve a prisão decretada, a mulher excluiu das redes sociais fotos em que aparecia em Londres ao lado de carros luxuosos, em restaurantes e hotéis.

Meire, o líder religioso, e o terceiro suspeito, vão responder falsidade ideológica e associação criminosa. Além de cumprir o mandado de prisão contra o líder religioso, a polícia também conseguiu o bloqueio das contas dele, e apreendeu carros e uma moto que teriam sido adquiridos com o dinheiro do golpe.

*Áulus Rincon, do Mais Goiás