Cunhado de Demóstenes Torres é quarta vítima fatal do Covid-19 em Goiás

Ex-senador falou ao Mais Goiás; suspeita é de transmissão comunitária

Cunhado de Demóstenes Torres é quarta vítima fatal do Covid-19
Cunhado de Demóstenes Torres é quarta vítima fatal do Covid-19

Arnaldo Barbosa Lima, de 62 anos, foi mais uma vítima fatal do novo coronavírus (Covid-19). A quarta. Cunhado do ex-senador Demóstenes Torres, ele era casado com irmã do hoje advogado, Lindalva, e faleceu no domingo (5), na capital. Ele era engenheiro civil e atuou, por muitos anos, como gerente-geral da Eternit. O óbito ocorreu um dia após a confirmação da terceira morte, da profissional de saúde Adelita Ribeiro da Silva (38).

Segundo Demóstenes, que conversou com o Mais Goiás e confirmou a contaminação pelo Covid-19, a suspeita é de transmissão comunitária, pois não houve viagem. “E a minha irmã, que tem 63, também pode estar contaminada. Assintomática”, relatou. O advogado declara, ainda, que o exame da irmã, já feito, deve sair até quarta-feira (8). “Ela está em quarentena.”

Apesar do momento de dor, Demóstenes explica como tudo aconteceu. “Há semanas ele começou a sentir febre. Ele ligava para o médico, que pediu que ele ficasse em casa. Depois de três dias, começaram as tosses e o médico pediu uma tomografia. Esta foi enviada à uma sobrinha, que também é médica, em Brasília, que orientou a internação”. A essa altura, de acordo com ex-senador, o pulmão do cunhado estava 75% comprometido.

“Aí ele foi internado no Anis Rassi, em Goiânia, e recebeu todo o tratamento corretamente”. Posteriormente, ele passou a ter problema renal e teve que fazer diálise. “Ele tinha pressão alta, mas controlada. Não fazia nada de errado e estava com o peso bom”, diz Demóstenes ao revelar a falta de discricionariedade da doença.

Indignado, ele compara: “O terrível é que conviveu com a minha irmã, que possivelmente contraiu, assintomática. Um evoluiu para morrer e a outra nada. Isso mostra que há uma reação diferente de pessoa para pessoa.”

Quarentena

Demóstenes tem seguido as orientações, conforme o decreto do governador Ronaldo Caiado (DEM). Como advogado, profissional liberal, tem trabalhado como previsto. Para ele, o distanciamento imposto pelo governo do Estado é bom. “Acho que, evidentemente, isso terá que ser flexibilizado, mas ainda não é hora.”

Hoje, a avaliação do ex-senador encontra um rosto e não só números. “[Isto] naturalmente, para mim que vivo uma tragédia. Nem pude abraçar minha irmã e nem ir no enterro de um cunhado que era muito querido”, desabafou.

Apesar de avaliar, como leigo, que o cunhado poderia estar melhor se fosse mais cedo ao hospital, Demóstenes diz entender que os médicos tentam, com razão, aliviar o sistema de saúde para atender às pessoas que estão em estado mais grave. “Não tenho qualificação, é só impressão, mas acho que esses, que têm febre, deveriam procurar um hospital imediatamente”.

Questionado quando se encontrou com o cunhado pela última vez ele revela um momento feliz: 10 de fevereiro, o aniversário dele. “Que eu saiba, não tive contato com ninguém infectado.”

Arnaldo Barbosa foi enterrado no Cemitério Jardim das Palmeiras, onde já tinha um jazigo. Não houve velório, o que já se tornou prática em meio à pandemia do coronavírus.