Daniel Vilela critica emedebistas que mantiveram veto a homenagem a Iris

"Lamentável que os vereadores de Goiânia tenham rejeitado o projeto que daria o nome do nosso grande líder Iris Rezende à Avenida Castelo Branco"

Daniel Vilela critica emedebistas que mantiveram veto a homenagem a Iris
Daniel Vilela critica emedebistas que mantiveram veto de projeto que homenagearia Iris (Foto: Reprodução - Twitter)

O presidente do MDB em Goiás, Daniel Vilela, criticou os vereadores de Goiânia por manterem o veto do prefeito Rogério Cruz (Republicanos) à homenagem a Iris Rezendefalecido no fim do ano passado. O ex-prefeito da capital e ex-governador de Goiás teria o nome colocado no lugar de uma das principais de vias da cidade, a Avenida Castelo Branco.

Daniel criticou, principalmente, os vereadores do MDB que votaram pela manutenção – da sigla, somente Clécio Alves e Izidio Alvez tentaram derrubar veto. “Lamentável que os vereadores de Goiânia tenham rejeitado o projeto que daria o nome do nosso grande líder Iris Rezende à Avenida Castelo Branco. A Câmara erra – e principalmente os vereadores do MDB -, ao não conceder tal honraria àquele que tanto fez por Goiás e por Goiânia”, escreveu.

E ainda: “Se existe em Goiás algum nome mais apropriado para batizar uma agrovia (dado o perfil comercial daquela via) do que Iris Rezende, eu desconheço. Foi um dos maiores ministros da Agricultura da história do País, reconhecido internacionalmente pela modernização do setor.”

Manutenção do veto

A manutenção ao veto ocorreu nesta terça-feira (22). Após pressão de empresários ligados ao Sindicato do Comércio Varejista no Estado de Goiás (Sindilojas), a Câmara manteve a decisão de Rogério Cruz com placar de 24 votos a 8.

O vereador Clécio Alves (MDB), autor do projeto de homenagem a Iris, disse que a atitude dos vereadores que mantiveram o veto “envergonha” o ex-prefeito Iris Rezende. “Alguém me aponte um prego que Castelo Branco colocou em Goiânia! Um ditador, um algoz, que envergonha Goiânia e o Brasil”, criticou.

Após votos contrários do MDB, Clécio Alves renunciou à liderança do partido na Câmara Municipal.

Confira como votou cada um (sim era pela derrubada):

  • Aava Santiago (PSDB) Sim
  • Anderson Bokão (União Brasil) Não
  • Anselmo Pereira (MDB) Não
  • Bruno Diniz (PRTB) Não
  • Cabo Senna (Patriota) Não
  • Clécio Alves (MDB) Sim
  • Edgar Duarte PMB Não
  • Gabriela Rodart (DC) Não
  • Geverson Abel (Avante) Não
  • Henrique Alves (MDB) Não
  • Izidio Alves (MDB) Sim
  • Joãozinho Guimarães (SD) Não
  • Juarez Lopes (PDB) Não
  • Kleybe Morais (MDB) Não
  • Leandro Sena (Republicanos) Não
  • Léia Klébia (PSC) Não
  • Lucas Kitão (PSL) Não
  • Luciula do Recanto (PSD) Não
  • Marlon Teixeira (CID) Sim
  • Mauro Rubem (PT) Sim
  • Paulo Henrique (PTC) Sim
  • Pedro Azulão Jr (PSB) Não
  • Pastor Wilson (PMB) Sim
  • Raphael da Saúde (DC) Não
  • Ronilson Reis (Podemos) Não
  • Sabrina Garcez (PSD) Não
  • Sandes Júnior (PP) Sim
  • Sargento Novandir (Republicanos) Não
  • Thialu Guiotti (Avante) Não
  • Willian Veloso (PL) Não

CDL contrária

Ainda no ano passado, a Câmara de Dirigentes Lojistas da capital (CDL) se manifestou contrária a mudança – não só para homenagear Iris, mas também a cantora Marília Mendonça. Em carta aberta, disse que essas alterações podem gerar transtornos como prejuízos ao poder público, aos comerciantes e aos moradores, além de interferir na identidade de regiões históricas da cidade.

“O excepcional legado deixado por Iris Rezende e por Marília Mendonça, que faleceram recentemente, é inquestionável. Essas duas personalidades goianas, cada uma em sua área de atuação, tornaram-se referências não só no Estado de Goiás, mas em todo o país, merecendo, portanto, distintas homenagens. Ocorre que tais honrarias não podem, de forma alguma, gerar transtornos ou prejudicar a vivência da população local.”

A CDL argumenta que a prefeitura teria uma quantidade significativa de placas para substituir na cidade, enquanto os comerciantes teriam que arcar com despesas de alteração de “placas e fachadas; atualizações de documentos, contratos e cadastros; substituição de todo material de comunicação e de divulgação das empresas; dificuldade para que os clientes, principalmente os não habituais, se orientem nas vias; problemas na entrega de correspondências e mercadorias, dentre tantos outros transtornos e gastos impostos aos moradores e empresários instalados nessas regiões”.

Filha de Iris

O veto do prefeito Rogério teve justificativa da Procuradoria-Geral do Município (PGM). Segundo o órgão, para que a mudança de vias públicas aconteça é preciso apresentação, discussão, votação e aprovação da maioria dos moradores da região.

A filha de Iris, Ana Paula Rezende, publicou no último dia 14 um texto com críticas ao gestor da capital. “Como já ocorreu em diversas capitais, a Lei Orgânica de Goiânia permite a mudança de nome de logradouros que homenageiam ditadores ou pessoas ligadas à ditadura militar no Brasil (de 1964 a 1985). É uma pena que o pensamento de muitos seja tão pequeno”, disse em trecho.

É bom lembrar que a via homenageia Humberto de Castelo Branco, o primeiro presidente da ditadura militar brasileira, escolhido de forma indireta, em 1964, após um golpe civil-militar. Iris Rezende teve seu mandato cassado pelo regime, em 1969, após o Ato Institucional número 5 (AI-5), e seus direitos políticos suspensos.