Delegado Waldir diz que não depende do bolsonarismo para se eleger

O deputado federal diz, no entanto, que continua defendendo os valores conservadores e direita

Deputado federal Delegado Waldir
Delegado Waldir diz que não depende do bolsonarismo para se eleger (Foto: Câmara dos Deputados - Divulgação)

O deputado federal Delegado Waldir (PSL) afirma que eleitores do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) não compõem sua base eleitoral e que ele não depende do bolsonarismo para se sagrar vitorioso nas urnas no ano que vem. “Em 2014 tive 274 mil votos. Em 2018 tive 274 mil votos. Quais são os eleitores do Bolsonaro que integram minha base?”, indaga.

O deputado diz, no entanto, que continua defendendo os valores conservadores e direita. “Eu não mudo meus princípios. Defendo o combate à corrupção, a transparência, a ética na política”, afirma. “Continuo sendo de direita, conservador, cristão. Contrário à legalização do aborto, das drogas. Meu perfil de direita não vai mudar”, reforça.

Delegado Waldir que se candidatar ao Senado por Goiás. No entanto, a disputa pela única vaga de candidato a senador na chapa do governador Ronaldo Caiado – da qual Waldir faz parte – está intensa. Estão no páreo, por exemplo, Henrique Meirelles, João Campos e Alexandre Baldy.

Denúncias sobre orçamento secreto

Waldir diz não ter receio de perder os eleitores do Bolsonaro na eleição de 2022, mesmo após denunciar um suposto esquema compra de votos através das emendas de relator pelo governo federal na Câmara dos Deputados.

“Acima de tudo para mim está o combate à corrupção. E o principal: a defesa do meu Estado de Goiás. Dos prefeitos, vereadores, lideranças. Não é justo não levar recursos”, critica.

Delegado Waldir diz que expôs valor das emendas do chamado orçamento secreto para dar “transparência” ao processo. “É um absurdo que o Amapá tenha recebido R$ 300 milhões de emendas e Goiás não seja contemplado da mesma forma, considerando que temos mais de 7 milhões de habitantes”, salientou ao Mais Goiás.

O deputado federal avalia que a diferença na destinação de emendas do relator, conduzidas pelo presidente da Câmara, Arthur Lira (PP), está sendo “injusta com a população de Goiás”.

Bolsolão: Delegado Waldir que diz que deputados receberam R$ 10 mi para votarem em Lira

Em reportagem publicada pelo The Intercept, na semana passada, Delegado Waldir denunciou ter recebido a oferta de R$ 10 milhões em emendas em troca do voto em Lira para a presidência da Câmara dos Deputados.

O parlamentar disse que o valor poderia ter sido ainda maior. Já que outros R$ 10 milhões foram acordados no mesmo período, mas ele não soube precisar se também em troca do voto em Lira ou da aprovação de algum outro projeto à época.

Delegado Waldir ainda acusou a participação do general Luiz Eduardo Ramos, secretário-geral da Presidência da República, como principal articulador político com o Congresso para a formatação do orçamento secreto.

Segundo a reportagem do Intercept, o parlamentar não chegou a ter os valores empenhados em decorrência da cisão no PSL, em 2019. Na ocasião, Waldir acusou Bolsonaro de destituí-lo da liderança do partido para colocar Eduardo Bolsonaro.

Orçamento secreto

O esquema do orçamento secreto foi criado pelo presidente Jair Bolsonaro e operado com verba do Ministério do Desenvolvimento Regional para destinação de emendas do orçamento federal a alguns parlamentares próximos ao governo.

Parte desta verba seria destinada à compra de tratores e outros maquinários a preços superfaturados em municípios a escolha dos deputados. Por isso, o nome tratoraço.