Demóstenes vai processar delegado de Anápolis por abuso de autoridade

Segundo o ex-senador, a conduta do delegado no processo é “omissa e vaidosa”, além disso advogado acusou autoridades de converter crime em doloso para "gerar comoção"

Segundo o ex-senador, a conduta do delegado no processo é “omissa e vaidosa”.(Foto: Antônio Cruz/ABr)

O ex-senador e advogado, Demóstenes Torres, disse em entrevista ao Mais Anápolis que irá processar o delegado titular e responsável pela Delegacia de Crimes de Trânsito (DICT), Manoel Vanderic, por abuso de autoridade. Demóstenes é o principal advogado de defesa de Sérgio de Moraes, suspeito de matar o motociclista Wilkinson Leles do Nascimento, de 38 anos, que trabalhava como entregador por aplicativo na noite do último domingo (09).

Segundo o ex-senador, a conduta do delegado no processo é “omissa e vaidosa”.

De acordo com Torres, é “omissa” porque, nesta quarta-feira (12), o advogado esteve com Sérgio de madrugada em uma delegacia para verificar se existia algum mandado de prisão. Como o processo corria em segredo de justiça, o suspeito não foi preso. “Fui procurado para atuar no caso ontem à noite e ontem à noite mesmo eu fui”, explica.

Desde segunda-feira (10), Sérgio de Moraes está com um mandado de prisão em aberto por não ter se apresentado na Delegacia em que o crime está sendo investigado. “Vaidosa” porque o advogado acusou o delegado de não colocar o mandado no sistema. “Por que o mandado não estava no sistema? Se há esse mandado e ele escondeu, ele impossibilitou o trabalho dos colegas”, afirma Torres.

Além disso, o ex-senador afirmou que as autoridades têm tentado converter esses crimes de trânsito em crime doloso para gerar comoção e disse que a situação não aconteceu como o delegado diz.

Versão do Delegado

Ao Mais Anápolis, o delegado Manoel Vanderic disse que não irá comentar sobre as ofensas para não levar as investigações do caso para um lado pessoal, mas explicou as acusações feitas pelo advogado.

“O sigilo do mandado foi autorizado pelo Judiciário, que poderia ter lançado no banco de dados. Eles (Judiciário) têm essa competência e não fizeram”, explica o delegado.

Sobre o fato de tornar o caso em doloso para gerar comoção, o titular da especializada disse que acha um desrespeito com as famílias enlutadas falar que o crime não é doloso. “Tem manobra irregular e tem sinal de embriaguez, o indiciado já foi preso duas vezes pelo mesmo crime”, justifica.

Entenda o caso

O acidente aconteceu por volta de 20h15 no último domingo(09). Câmeras de segurança flagraram o momento que o motorista do carro atinge em cheio o motociclista que seguia pela Avenida Presidente Vargas.

O homem não prestou socorro à vítima. Uma equipe do Corpo de Bombeiros foi ao local e encaminhou o motociclista ao hospital, mas, segundo a corporação, ele morreu antes de chegar à unidade hospitalar.