Carnaval

Baile de carnaval reúne pessoas com deficiência e famílias no Rio

O Centro Integrado de Assistência à Pessoa com Deficiência – Ciad Mestre Candeia, equipamento da…

O Centro Integrado de Assistência à Pessoa com Deficiência – Ciad Mestre Candeia, equipamento da Subsecretaria Municipal de Esporte e Lazer do Rio de Janeiro, realizou hoje (19) seu segundo baile de carnaval, com a participação de funcionários, alunos e seus familiares.

Segundo os organizadores, o baile de carnaval, que ocorre pela segunda vez no Ciad Mestre Candeia, é importante porque é uma festa que integra a família toda. Os alunos trabalham desde o começo do ano se preparando para o baile. Tem alunos que cantam e dançam e se preparam para o baile e, também, para o desfile de fantasias.

O baile é animada por marchinhas e samba enredo e conta com a participação de Lincoln Pereira e de Lu Rufino, mestre-sala e porta-bandeira da escola de samba Embaixadores da Alegria. A agremiação abriga pessoas com todo tipo de deficiência e há dez anos abre os desfiles do Grupo Especial do carnaval do Rio de Janeiro.

Referências

O subsecretário de Esporte e Lazer, Gustavo Freue, disse que no ano passado, o baile de carnaval foi “fantástico”. Em torno de 150 pessoas foram reunidas no local para brincar. Neste ano, a expectativa é que o baile reúna cerca de 200 pessoas. Os alunos participam de tudo. “Eles fazem as apresentações, eles escolhem as fantasias. São eles que cantam, lógico que com apoio”, disse. “É uma organização dos professores e coordenadores com os alunos”.

Freue disse que duas pessoas são referência nesse segmento. Uma delas é o coordenador técnico do Ciad, Paulo Cruz. Outra é o coordenador administrativo Valdenio Borges, que é pai de um portador de Síndrome de Down, de 41 anos, também participante dos projetos do centro.

Borges disse que o trabalho feito no Ciad é atender as famílias que têm filhos deficientes. “A gente utiliza atividades físicas, culturais e de lazer para o desenvolvimento deles e das famílias”. Esse é o diferencial do Ciad, expôs Borges. As famílias participam de tudo.

“Eles não vêm sozinhos. A maioria não tem autonomia. Quando a mãe chega aqui com eles, porque 90% são mães que trazem os filhos, a gente além de recebê-los cria várias atividades para que a família também entre nesse processo”. O coordenador administrativo disse que o trabalho dele com pessoas com deficiência começou quando seu filho nasceu. Em equipamentos da prefeitura do Rio, o trabalho de Borges teve início em 2001, quando foram construídas as vilas olímpicas que desenvolviam trabalho semelhante. No Ciad, o projeto começou em 2003, priorizando a parte lúdica.

Exemplo

Ricardo Manhães é um exemplo do que o trabalho no Ciad pode fazer. Deficiente mental moderado, Ricardo passou no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e está no quarto período de uma Faculdade de Filosofia, informou a mãe dele, Rosangela Sardinha.

Com 37 anos, Ricardo é aluno do Ciad desde 2004. Para ele, o Ciad é bom porque é onde ele faz as atividades. “É um lugar bom, acolhedor, todo mundo respeita. Aqui é o lugar em que eu me sinto muito bem”. Ele tem aulas de percussão e capoeira, entre outras atividades.

Ricardo participou do desfile de fantasias vestido do craque do Flamengo, Gabigol. Sua mãe é voluntária no Ciad há 16 anos, fazendo artesanato com as demais mães. “Ele mudou muito aqui. Tinha uma deficiência. Não olhava para ninguém, ele agredia [as pessoas]. Isso aqui o acalmou muito”.

Equipamento específico

O município tem, atualmente, 25 vilas olímpicas, onde cerca de 50 mil alunos são atendidos com atividades sistemáticas nos dias úteis e, nos finais de semana, com atividades de lazer com monitoramento.

Segundo o subsecretário, o Ciad é um equipamento específico para pessoas com deficiência e, como tal, passa por outro conceito. “O corpo técnico é altamente qualificado, justamente para lidar com um público que também é diferenciado. Os alunos têm atividades regulares, mas também têm atividades lúdicas e de integração social”, disse Freue. O Ciad oferece permanentemente passeios, apresentações de dança, teatro, visita a museus.

Atualmente, cerca de 200 pessoas de diversas faixas etárias são alunas do Ciad Mestre Candeia. Elas incluem desde jovens de 20 a 25 anos até adultos de 60 anos, com autismo. O objetivo é a integração, a comemoração e a festa, sublinhou Freue.

O Ciad Mestre Candeia foi batizado em homenagem ao sambista, cantor e compositor portelense Candeia, que ficou paraplégico após receber um tiro nas costas.