Saúde

O Carnaval e as ISTs: prevenir pra curtir

Que o Carnaval é uma época de excessos, todo mundo sabe. Festas, sexo com pessoas…

Que o Carnaval é uma época de excessos, todo mundo sabe. Festas, sexo com pessoas desconhecidas, consumo de álcool e drogas entre outras peripécias são muito comuns entre adultos e adolescentes. Também não é novidade que esses excessos costumam expor o folião a uma série de perigos e as Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs) representam alguns deles.

Apesar de sabermos de tudo isso e da grande quantidade de informações disponibilizadas das mais diversas formas, o número de pessoas que contraem ISTs não para de crescer. Dados da Secretaria de Estado da Saúde (SES) apontam que o número de casos diagnosticados de HIV entre pessoas com mais de 13 anos de idade aumentou 1.280% entre os anos de 2008 e 2018.

As estatísticas assustam e a informação disponível sobre prevenção parece não surtir efeito. Ainda segundo a SES, 75,3% das pessoas que responderam às pesquisas feitas pelo Governo Estadual tinham pelo menos o Ensino Médio completo.

E o HIV é apenas um dos problemas. Os casos de Sífilis também têm assustado as autoridades. Em Goiás, foram 21.279 registros da doença entre os anos de 2013 e 2018. A patologia pode surgir décadas após o início da infecção e os sintomas costumam desaparecer independente do tratamento. No estágio final, pode causar lesões na pele, nos ossos, cardiovasculares e neurológicas e levar à morte.

Os números fazem com que as autoridades e especialistas cheguem a um consenso: a população não está usando camisinha nas relações sexuais. Uma pesquisa realizada pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) durante o Carnaval de 2011 mostrou que apenas 66,8% das pessoas sempre usam camisinha com parceiros casuais.

Perdeu-se o medo

Para a infectologista do Hospital de Doenças Tropicais (HDT), Letícia Aires, as pessoas estão deixando de lado o uso do preservativo por causa de outros métodos contraceptivos. Ela ressalta que usar camisinha é a forma mais eficaz de evitar as temidas ISTs.

“O uso do preservativo está ficando um pouco esquecido pela população. Os métodos contraceptivos são importantes, mas o uso do preservativo continua sendo a melhor forma de se prevenir”, ressalta.

Letícia alerta, também, que o número de infectados pelo vírus HIV tem aumentado porque as pessoas perderam o medo da doença. “A Aids deixou de ser uma doença que assusta”, disse a médica. “Hoje você consegue controlar, temos medicação segura e com poucos efeitos colaterais. Não temos mais a imagem de uma doença que é grave, que deixa sequelas, que não tem cura e que pode levar à morte”.

Falta de informação sobre ISTs

Ainda existe uma série de tabus com relação à transmissão de ISTs. Os dados da pesquisa da UERJ, já mencionada, mostram que muito ainda precisa ser falado sobre o assunto. Perguntados sobre formas de transmissão do vírus HIV, 21,6% dos entrevistados afirmaram que é possível pegar Aids em assentos de vaso sanitário, enquanto 20% acreditam que é possível pegar com beijo na boca e 17,6% responderam que é possível ser infectado por meio de insetos.

Apesar de 96,7% dos entrevistados afirmarem que relações sexuais desprotegidas transmitem o vírus HIV, as respostas mencionadas acima deixam claro que ainda há muita desinformação. Sobre isso, Letícia afirma que a chance de contágio depende muito do tipo de exposição. “O sexo anal é o que tem a maior probabilidade de transmitir HIV. Em seguida vem o sexo vaginal e o sexo oral. Beijo na boca só transmite quando há muita exposição da mucosa, feridas ou cáries”, explica.

Fiz sexo desprotegido. E agora?

Perguntada sobre o que deve ser feito quando a pessoa tem uma relação sexual sem camisinha, Letícia é enfática. “Não faça”. Ela ressaltou, entretanto, que existem formas de se proteger após a exposição, com uso de medicamentos.

“No HDT nós temos a profilaxia pós exposição (PEP) para os casos de HIV. Além disso, existem profilaxias pré-exposição, tanto para Aids como para outras doenças. A vacinação contra hepatite B, por exemplo, é fundamental para pessoas sexualmente ativas.”

De acordo com o Ministério da Saúde, “a PEP é uma medida de prevenção de urgência à infecção pelo HIV, hepatites virais e outras infecções sexualmente transmissíveis (IST), que consiste no uso de medicamentos para reduzir o risco de adquirir essas infecções”. Esse tipo de tratamento é considerado uma urgência médica e deve ser iniciado, preferencialmente, nas primeiras duas horas após a exposição. E, no máximo, em até 72 horas.

O Ministério da Saúde disponibiliza, no site, uma consulta das unidades de saúde que disponibilizam esse tipo de tratamento. Para informações sobre o acesso à PEP em sua cidade, clique aqui.

Prevenção é o melhor caminho. Não apenas no Carnaval

Com certeza, a última coisa que queremos depois de um Carnaval é ter preocupações com ISTs. Além da Aids e da Sífilis, existe um grande número de doenças que causam vários riscos à saúde e podem deixar sequelas para toda a vida.

O uso da camisinha é comprovadamente a melhor forma de evitar o vírus HIV e muitas outras infecções. Por isso, o melhor é sempre se prevenir e deixar para se preocupar apenas com a ressaca da quarta-feira de cinzas.