Elias Vaz deve pedir convocação de Braga Netto para explcação de gastos em picanha

TCU constatou irregularidades, como o uso de recursos destinados ao enfrentamento da Covid-19 para compra de filé mignon e picanha pelo Ministério da Defesa

Políticos e entidades reagem a celebração do golpe de 1964 por Braga Netto
Políticos e entidades reagem a celebração do golpe de 1964 por Braga Netto (Foto: Agência Brasil - Divulgação)

O deputado federal Elias Vaz (PSB) irá pedir a convocação do ministro Braga Netto para explicar a pauta da compra de picanha e filé com verba da Covid-19. Ainda não há, entretanto, uma data certa para protocolar o requerimento devido ao recesso de fim de ano na Câmara dos Deputados.

A denúncia inicial foi do deputado Elias Vaz, feita ainda em fevereiro deste ano, em que encontrou, junto com outros deputados do PSB, registros de compras de “ostentação” e “superfaturamento” das Forças Armadas.

Entre os registros denunciados ao procurador-geral de República estava gastos com picanha, milhares de litros de cerveja e centenas de latas de Skol Beats. Os parlamentares indicam ainda sobrepreço de até 60% nos itens adquiridos pelo Exército.

Uso de recurso para enfrentamento da Covid-19 em filé e picanha

Reportagem publicada na terça-feira (28), pela Folha de São Paulo, mostra que o Tribunal de Contas da União (TCU) constatou mais irregularidades, como o uso de recursos destinados ao enfrentamento da Covid-19 para compra de filé mignon e picanha pelo Ministério da Defesa.

Segundo informações do levantamento sigiloso feito pela Secretaria de Controle Externo de Aquisições Logísticas foram usados R$ 535 mil em itens de luxo.

Alto risco de irregularidades

Além disso, o TCU detectou “alto risco de irregularidades” em contratações feitas pelas Forças Armadas de empresas ligadas a militares e que totalizam R$ 87 milhões. O levantamento identificou grupos econômicos com indícios de atuação coordenada entre as empresas integrantes em licitações, com ou sem a participação de servidores, para direcionamento do certame ou contratação direta indevida.

À Folha, a assessoria de imprensa da Defesa afirmou, em nota, que as atividades do Exército, da Marinha e da Aeronáutica foram mantidas na pandemia. Isso inclui, disse o órgão, a alimentação fornecida às tropas.

A auditoria constatou que, dentre os órgãos superiores dos três Poderes, a Defesa foi o que mais gastou recursos para compra de itens considerados não essenciais. Destacam-se bacalhau, salmão, camarão e bebidas alcoólicas.

“[…] Não parece razoável alocar os escassos recursos públicos na compra de itens não essenciais, especialmente durante a crise sanitária, econômica e social pela qual o país está passando, decorrente da pandemia”, diz trecho da auditoria.