Zé Neto relembra ‘fundo do poço’ pela depressão, e Cristiano fala da pausa para salvar o amigo: ‘Melhor escolha’
"É triste o que vou dizer, mas quase tirei minha própria vida", afirma Zé Neto

Via Extra – Antes de gravarem, no Rio de Janeiro, o novo DVD da dupla, Zé Neto e Cristiano reservaram um tempo para assistir a uma missa aos pés do Cristo Redentor. Foram lá agradecer pelos 15 anos de carreira e também pela superação de provações na vida pessoal: o fim da depressão (e o desmame de remédios) da primeira voz da dupla. O projeto, “Vocês e Deus”, que será lançado nas plataformas no próximo dia 8, tem tudo a ver com o apoio vindo dos amigos, dos fãs e da religião para superar a doença.
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— Eu achava que depressão era frescura, desculpa que a pessoa dava quando não queria fazer algo, e até falta de Deus. Isso até sentir na minha pele. Porque não aparece em exames. Você sofre, quem está em volta sofre também. É triste o que vou dizer, mas quase tirei minha própria vida. Eu estava vivendo no automático, num ciclo vicioso — diz Zé Neto, de 36 anos, que canta fortes versos, como: “Quando tudo estava escuro, uma luz no fim do túnel acendeu. Só lá no fundo do poço que olhei para cima e vi quem me ergueu. Foram vocês e Deus”.
O ritmo de shows foi, em grande parte, responsável pelo quadro de saúde mental do cantor. Donos de hits como “Largado às traças” (por esta, eles levaram o troféu de Música do Ano, em 2018, no “Domingão do Faustão”) e “Notificação preferida”, os dois chegaram a fazer 35 apresentações por mês no auge do sucesso.
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— Era uma loucura para o organismo acordar no Pará, dormir no Rio Grande do Sul, voltar para a Bahia, descer em Minas. O trabalho em excesso começou a acarretar problemas. Estava cansado, queria descontar em algo, passei a abusar de remédios para dormir, comecei a desenvolver vício em cigarro eletrônico… Esse aí acabou comigo, se eu tivesse que citar um culpado. Porque eu sou muito exigente para cantar bem, 100% afinado, mas o cigarro acabou com a minha voz. Não conseguia cantar como queria, descontava no álcool. Já que ia subir ao palco para “passar vergonha”, queria me anestesiar. No dia seguinte, não lembrava de nada, por conta da bebida, e ficava deprimido quando via o que eu fazia. Isso foi virando um ciclo — relembra o paulista.
Parentes e empresários tentaram alertar Zé Neto de que essa rotina não estava saudável. Mas o baque veio mesmo depois de um ultimato de Cristiano: ou o parceiro parava com aquilo tudo, ou a carreira deles chegaria ao fim. Só aí o músico foi procurar ajuda médica.
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— Quando falei isso, não estava me preocupando com os negócios, já tinha perdido o interesse. Eu queria o meu amigo de volta. Ele fazia todo mundo rir e, de repente, tinha se tornado a piada. Estava sentindo raiva das pessoas desse mercado mercenário, que não se importavam com ele, embora repetissem: “O Zé é uma bomba-relógio”. Eu sou padrinho de casamento e dos filhos dele. Não queria carregar a culpa de alguém que não fez nada para ajudá-lo. E eu só fiz o que ele faria por mim — diz Cristiano, de 39 anos.
Zé Neto e Cristiano se conhecem desde que tinham 3 e 6 anos de idade, respectivamente, quando se tornaram vizinhos em Ibirá, na região de São José do Rio Preto, no interior de São Paulo. Viraram uma dupla há 15 anos, quando Zé Neto insistiu para Cristiano largar o emprego numa farmácia para fazer segunda voz para ele no sertanejo. Fizeram sucesso nas redondezas, se mudaram para Goiânia e ralaram por cinco anos até ver o Brasil abraçar seu primeiro hit. Da chegada ao topo, por lá permaneceram até os problemas psicológicos falarem mais alto. Deram uma pausa no fim de 2024.
— Nosso combinado sempre foi que a carreira não poderia atrapalhar a relação de Zé e Irineu (nome de batismo de Cristiano). A amizade está em primeiro lugar, ou nada faz sentido. Fomos criados como irmãos, sempre fizemos tudo juntos. Casamos juntos, tivemos filhos na mesma época… Claro que a pausa trouxe um baque financeiro. Até porque nós temos um custo de vida alto que estava atrelado ao cachê que ganhávamos e, de repente, foi cortado. E nós mantivemos toda a nossa equipe, pagamentos em dia. São mais de 60 pessoas. Mas deu tudo certo. Fizemos a melhor escolha — explica Cristiano, que tem outros negócios além da música, como empresas de contabilidade para a área de saúde, seguros e consórcios.
Passada a turbulência, Zé Neto faz até piada:
— Nós sempre fomos preparados financeiramente. Poderíamos parar de trabalhar hoje. Tudo o que temos dá para vivermos o resto da vida… Mas aí teríamos que morrer amanhã meio-dia (risos). Brincadeira, sempre fomos controlados.
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O período difícil serviu também para rever prioridades. Hoje, os dois limitam o número de shows por mês. Não passam de 15 apresentações. Eles têm mais tempo para curtir a família e usufruir de outros bens que conquistaram. Foi fácil se acostumar com as folgas. E o prazer pela carreira foi voltando.
— Cantar é o que mais amo na minha vida. Sem fumar, fui voltando a alcançar os tons que precisava. Minha voz foi retornando ao normal. A tristeza foi passando, o prazer voltando, fui diminuindo os remédios… Tive ânimo para pesquisar repertório e agora estamos aqui com mais esse DVD — celebra Zé Neto.