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Justiça nega pedido de Sandrão para Amazon tirar série ‘Tremembé’ do ar

Sandra Regina Ruiz Gomes diz que produção mentiu sobre sua relação com Suzane von Richthofen

A Justiça de São Paulo negou o pedido de Sandra Regina Ruiz Gomes, conhecida como Sandrão, para que a plataforma retirasse do ar a série “Tremembé”, exibida pela Amazon Prime Video. A decisão foi tomada no âmbito do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) e considerou que a medida solicitada seria extrema neste momento do processo. O entendimento foi unânime na Câmara julgadora e não cabe recurso quanto à decisão liminar.

A ação tramitou na 9ª Câmara de Direito Privado do TJ-SP. No processo, Sandrão alegou que a produção teria divulgado informações falsas sobre sua vida, especialmente em relação ao crime pelo qual foi condenada e à sua relação com Suzane von Richthofen, condenada pelo assassinato dos pais em 2002. Segundo a ex-detenta, embora tenha mantido um relacionamento com Suzane, a narrativa apresentada na série não corresponderia à realidade.

Entre os pontos contestados estão a suposta liderança de movimentos dentro da prisão e a exibição de cenas que indicariam o recebimento de produtos em nome de Suzane. Sandrão também questiona a forma como foi retratada no crime ocorrido em 2005, em Mogi das Cruzes, quando foi condenada pelo sequestro e assassinato de um adolescente de 14 anos. A pena inicial foi de 27 anos de prisão, posteriormente reduzida para 24 anos após recurso.

Na ação, ela sustenta que foi coagida a participar das ligações que exigiam resgate da família da vítima, no valor de R$ 30 mil, e nega ter sido mentora intelectual do crime, como retratado na produção. Também contesta uma cena em que apareceria entregando uma arma a um menor de idade, fato que afirma não ter ocorrido.

O relator do caso, desembargador Wilson Lisboa, reconheceu que a discussão pode envolver eventual indenização por danos morais, mas ressaltou que a retirada da obra do ar configuraria restrição ampla à liberdade de manifestação artística. Para o magistrado, não há, neste momento, prova inequívoca de ilicitude que justifique a suspensão da exibição.

A divergência entre a narrativa audiovisual e a sentença penal, segundo o voto, exige análise aprofundada sobre os limites da liberdade criativa e da responsabilidade civil. O entendimento foi acompanhado pelos demais integrantes da Câmara.

Além da retirada da série, Sandrão pede indenização de R$ 3 milhões por danos morais. Esse pedido ainda aguarda análise judicial. A plataforma informou que não comenta processos em andamento, e a defesa da autora não se manifestou até a última atualização.