Wagner Moura cita Bolsonaro ao falar sobre o reconhecimento de ‘O Agente Secreto’; veja
"Sem ele, não teríamos feito o filme”, afirmou o ator

O ator Wagner Moura citou Jair Bolsonaro ao comentar o reconhecimento internacional do filme “O Agente Secreto”, que conquistou quatro indicações ao Oscar 2026 e recolocou o cinema brasileiro no centro das atenções da maior premiação do audiovisual mundial. A produção concorre nas categorias Melhor Filme, Melhor Filme Internacional, Melhor Ator e Melhor Elenco, esta última inédita no Oscar.
Reconhecimento internacional e turnê nos EUA
Durante a turnê de divulgação de “O Agente Secreto” nos Estados Unidos, Wagner Moura participou do tradicional talk show americano The Daily Show, apresentado por Jordan Klepper. Na entrevista, o ator relacionou o enredo do longa ao contexto político do Brasil pós-ditadura, mencionando diretamente o ex-presidente Bolsonaro.
“O filme tem recebido um grande reconhecimento desde o Festival de Cannes. E em um dos prêmios que recebi, eu agradecia a ele. Sem ele, não teríamos feito o filme”, afirmou Wagner Moura, ao explicar que a obra nasceu de uma inquietação compartilhada com o diretor Kleber Mendonça Filho.
Críticas ao período entre 2018 e 2022
Segundo o ator, “O Agente Secreto” foi concebido a partir da perplexidade com os rumos do país entre 2018 e 2022. “Este homem, que foi eleito democraticamente, veio para trazer de volta valores da ditadura militar para o Brasil do século XXI”, disse, ao contextualizar o debate político apresentado no filme.
Ditadura, anistia e memória histórica
Ao falar sobre o período da ditadura brasileira (1964–1985), Wagner Moura também criticou a Lei da Anistia de 1979. “Existem coisas que não podem ser esquecidas e nem perdoadas. O Brasil está, finalmente, superando um problema de memória ao mandar para a prisão, pela primeira vez, pessoas que atentaram contra a democracia”, declarou o ator, sendo aplaudido pela plateia do programa.
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Ainda durante a entrevista, Moura afirmou que, em sua visão, Bolsonaro “jamais teria existido politicamente se não fosse a anistia”, reforçando o discurso de que o país precisa rever o passado para compreender o presente — tema central abordado em “O Agente Secreto”.