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Chance de Felipe Drugovich na F1 passa por relação da categoria com a China

Brasileiro teve seu nome ligado a Alfa Romeo, para a vaga de Zhou, mas outras equipes também são opções para o atual campeão da Fórmula 2

Dependendo de com quem você cruzava no paddock em Zandvoort, havia uma versão sobre o que está acontecendo com a vaga ao lado de Valtteri Bottas na Sauber (que deixará de ser Alfa Romeo no final do ano). Os mais próximos a Felipe Drugovich negam que haja conversas. Os mais próximos ao atual piloto do time, Guanyu Zhou, dizem que sua renovação é uma questão de detalhes. E os franceses garantem que, especialmente se for campeão, Theo Pourchaire é quem está na pole position para substituir o chinês caso o time não fique com o piloto. Fora dessas esferas, a vaga segue em aberto no momento.

Mas toda essa situação passa pela relação da F1 com a China, estremecida após a pandemia e quatro cancelamentos do GP. Houve até uma tentativa da categoria espremer o GP chinês entre Austrália e Japão no calendário de 2024, em finais de semana seguidos, para pressionar os chineses a desistirem da prova, mas a F1 recuou e deixou um espaço de duas semanas entre as provas. Essa corrida de 2024 é a penúltima do atual contrato com Xangai, estendido no final de 2021.

Zhou não traz dinheiro diretamente, mas ajudou a Sauber a atrair parceiros. Embora o time esteja contente com seu desempenho, a dificuldade em ampliar esse investimento quando há opções melhores no mercado seria o entrave nas negociações atuais. Nem todos os parceiros atuais são chineses, mas queriam uma associação com o piloto do país. É bom lembrar que a Sauber perderá o patrocínio da Alfa Romeo, que dá nome ao time atualmente.

A questão é quanto a F1 quer continuar apostando em um mercado que, até agora, deu pouco retorno. Quando a categoria foi correr em Xangai, em 2004, havia uma tendência de expansão para a Ásia nas mãos do então chefão da parte comercial, Bernie Ecclestone. Nos últimos anos, houve uma mudança: agora a F1 tem seis corridas nas Américas, sendo que quatro delas passaram a ser disputadas nos últimos 11 anos.

A China deixou de ser uma prioridade e essa mudança de foco para as Américas também prejudica a audiência por lá, dificultando o crescimento do esporte. Por outro lado, ainda há dois anos a serem cumpridos no contrato e Zhou, que estreou em 2022, jamais correu de F1 em solo chinês e isso representa uma boa oportunidade de negócio. Tanto, que a Sauber já negocia com a F1 ações promocionais especialmente para o GP da China.

E a Alfa Romeo, para onde vai? Há meses, existe o rumor de que seu destino será a Haas, mas Guenther Steiner garante que eles nem mesmo sabem se querem ficar na F1. Mas, ao mesmo tempo, a Haas, que anunciou que continua com Kevin Magnussen e Nico Hulkenberg, nunca tinham fechado uma dupla de pilotos tão cedo, indicando uma segurança financeira que não tinham antes.

HAVERÁ UMA VAGA NA WILLIAMS?

O lugar de Logan Sargeant já foi sondado pelo próprio Felipe Drugovich e também por Guanyu Zhou, mas a Williams não parece querer abrir no momento. O chefe da equipe, James Vowles explicou que o time tem a responsabilidade de dar ao novato a chance de evoluir depois de promover sua estreia com pouca quilometragem. Mas também reconheceu que precisa ver uma evolução para apostar no norte-americano, que ao mesmo tempo em que foi pela primeira vez ao Q3 neste final de semana, bateu tanto na classificação, quanto na corrida.

“Não quero colocar um prazo na cabeça dele. Mas se não virmos essa evolução, vamos ter uma conversa sincera a respeito de como podemos seguir adiante”, disse Vowles.

Quem está de olho nessa conversa é a Mercedes, que já avisou a Frederick Vesti que poderia intervir para conseguir uma vaga, mas avisou que depende muito dos resultados do hoje vice-líder da F2, atrás justamente de Pourchaire. O que pesa contra ambos é que o nível da disputa no campeonato de acesso não tem sido dos melhores.

PRAZO DE VOLTA DE RICCIARDO DEPENDE DE RECUPERAÇÃO DA CIRURGIA

Os próximos passos da recuperação de Daniel Ricciardo após a fratura de metacarpo na mão esquerda que sofreu durante os treinos livres do GP da Holanda dependem muito da recuperação da cirurgia que ele fez com o médico Javier Mir na Espanha neste domingo. Nas estimativas mais otimistas, ele volta no Japão em menos quatro semanas. No momento, o mais provável seria um retorno no Qatar.

Para ele, seria obviamente importante voltar o quanto antes. Ricciardo já teria 12 provas entrando em um carro mal nascido para provar que a fase ruim da McLaren ficou para trás. Agora, não só terá talvez menos de 10, como ainda está vendo seu possível substituto ano que vem no carro. Até porque a Red Bull preferiu colocar Ricciardo no lugar de De Vries para não correr o risco de queimar Lawson, apressando sua estreia. Agora, ela acabou acontecendo da mesma maneira.

Como Ricciardo na Hungria, a estreia de Lawson aconteceu em uma pista na qual se usa um nível alto de pressão aerodinâmica, o que favorece o carro da AlphaTauri. Então ter Monza, uma pista completamente diferente, logo em seguida, dará sinais mais claros ao time.