COBRANÇA

Dirigentes do Vila Nova tiram satisfação com arbitragem após derrota no clássico: “Você não apita mais jogo do Vila”

O Sindicato dos Árbitros do Estado de Goiás se posicionou em relação à confusão após o clássico

Após a vitória do Atlético-GO por 2 a 0 contra o Vila Nova neste domingo (22) no estádio Antônio Accioly pela primeira partida da semifinal do Campeonato Goiano, um grupo de dirigentes do Tigrão foi até a saída dos vestiários da arbitragem cobrar o árbitro responsável pelo VAR, Eduardo Tomaz, em relação a um pênalti que não teria sido marcado em cima do atacante Rafa Silva.

Toda a confusão ocorreu no estacionamento do estádio, na porta de saída dos vestiários da arbitragem. O vice-presidente Colorado, Romário Policarpo, que estava entre os presentes, afirmou durante a confusão: “Você não apita mais jogo do Vila”. Antes, os envolvidos bateram palmas, de forma irônica, para a arbitragem.

A reclamação dos dirigentes se deu por conta de um lance ocorrido aos 36 minutos da segunda etapa, quando o duelo estava 2 a 0 para a equipe da casa. Nele, o atacante Rafa Silva recebe a bola de costas para a marcação, na entrada da área, se livra do zagueiro Natã Felipe, mas na sequência, é derrubado pelo volante Igor Henrique, do Dragão. O árbitro da partida, Breno Souza, marcou falta fora da área, mas os jogadores vilanovenses ficaram pedindo pênalti, alegando que Rafa teria sido derrubado em cima da linha da grande área. Mesmo após análise do VAR, a decisão foi mantida e a penalidade não foi marcada sem que Breno fosse ao vídeo checar o lance.

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Revoltados com a situação, dirigentes do Vila aguardaram a saída da arbitragem após o jogo para tirar satisfação sobre o lance. Durante a confusão, Eduardo Tomaz foi chamado de “vagabundo”, “irresponsável” e “safado”. Os dirigentes afirmaram que Eduardo “não pisaria mais” no Estádio Onésio Brasileiro Alvarenga e que não voltaria a trabalhar em partidas do clube colorado.

Sindicato dos Árbitros do Estado de Goiás se posiciona em relação à confusão após o clássico

Por meio de nota divulgada nas redes sociais, o Sindicato dos Árbitros do Estado de Goiás (Safego) se posicionou em relação ao ocorrido após o clássico deste domingo. Segundo eles, o futebol é movido por paixão, e críticas fazem parte do espetáculo. No entanto, o que não pode ser normalizado são atitudes de intimidação, ameaças e ataques à honra de profissionais que exercem sua função com responsabilidade, preparo e compromisso com as regras do jogo. A divergência é legítima; a agressão, jamais.

Ainda de acordo com a nota, é inaceitável que dirigentes, que deveriam prezar pelo equilíbrio e pelo diálogo institucional, protagonizem ou incentivem comportamentos que ultrapassam os limites do respeito. A arbitragem não pode ser transformada em bode expiatório para resultados adversos ou frustrações esportivas.

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Nota Safego

“O Sindicato dos Árbitros de Futebol do Estado de Goiás vem a público manifestar sua total indignação diante dos vídeos e manifestações que circulam nas redes sociais após a partida entre Atlético-GO e Vila Nova FC.

O futebol é movido por paixão, e críticas fazem parte do espetáculo. No entanto, o que não pode ser normalizado são atitudes de intimidação, ameaças e ataques à honra de profissionais que exercem sua função com responsabilidade, preparo e compromisso com as regras do jogo. A divergência é legítima; a agressão, jamais.

É inaceitável que dirigentes, que deveriam prezar pelo equilíbrio e pelo diálogo institucional, protagonizem ou incentivem comportamentos que ultrapassam os limites do respeito. A arbitragem não pode ser transformada em bode expiatório para resultados adversos ou frustrações esportivas.

A arbitragem goiana é motivo de orgulho. Somos referência nacional e internacional, fruto de investimento constante em tecnologia, capacitação e preparação física e técnica. Nossos árbitros passam por avaliações rigorosas, treinamentos permanentes e são submetidos a critérios técnicos claros e transparentes.

Não aceitaremos que a responsabilidade de uma equipe dentro de campo seja transferida à arbitragem como estratégia de justificativa pública. O árbitro aplica a regra. Não decide resultado, não escolhe vencedor. Cumpre sua missão com imparcialidade e coragem.

O que foi presenciado na saída do estádio é lamentável e afronta não apenas a categoria, mas os princípios básicos do respeito humano. Antes de árbitros, somos homens e mulheres, pais e mães de família, cidadãos que dedicam suas vidas ao esporte e que merecem dignidade no exercício de sua profissão.

O futebol goiano é grande demais para ser manchado por atitudes que estimulam o ódio e a desinformação. A paixão jamais pode se sobrepor à razão, e o debate nunca pode ultrapassar os limites da civilidade.

Este Sindicato permanecerá firme na defesa incondicional da arbitragem goiana. Exigimos respeito, o mesmo respeito que sempre dedicamos a dirigentes, comissões técnicas, atletas e torcedores”.

Sindicato dos Árbitros de Futebol do Estado de Goiás –

SAFEGO